terça-feira, 31 de março de 2020

Justiça determina que João de Deus vá para prisão domiciliar


Médium João de Deus ao levado para a prisão por agentes da Polícia Civil
A Justiça determinou que João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, vá para prisão domiciliar. A decisão da juíza Rosângela Rodrigues dos Santos levou em consideração uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que recomendou aos magistrados que, em razão da pandemia de coronavírus, analisassem os casos de detentos que integram os grupos de risco, como os idosos – João Teixeira tem 78 anos.
De acordo com a decisão, o médium está proibido de deixar sua residência em Anápolis (GO) e não pode frequentar a Casa de Dom Inácio de Loyola, centro onde dava atendimento espiritual desde a década de 1970 e onde abusou sexualmente de fiéis. Ele deverá usar tornozeleira eletrônica.
A Justiça também proibiu João Teixeira de Faria de manter contato com vítimas ou testemunhas dos processos em que ele é réu. Ele já foi condenado em duas ações a que responde por crimes sexuais: na sentença mais recente, de janeiro, a condenação foi de 40 anos de prisão por estupro de vulnerável, cometido contra cinco mulheres. Em dezembro, ele já havia recebido uma pena de 19 anos e quatro meses de prisão por dois casos de violação mediante fraude e dois de estupro de vulnerável.
O médium, que está em uma penitenciária de Aparecida de Goiânia (GO) desde dezembro de 2018, também já foi condenado por posse ilegal de arma de fogo e é alvo de outras denúncias por crimes sexuais apresentadas pelo Ministério Público de Goiás. O alvará de soltura ainda não havia sido expedido até o fim da tarde desta segunda-feira.
Em nota, a força-tarefa do Ministério Público de Goiás responsável pelas denúncias contra o médium afirmou que vai recorrer da decisão, "tendo em vista que se trata de réu condenado em primeiro grau, cujas penas totalizam mais de 60 anos de prisão". Segundo o promotor de Justiça Luciano Miranda, coordenador da força-tarefa, João Teixeira "responde a uma dezena de ações penais por crimes sexuais e também pelo delito de coação de testemunha no curso do processo, o que denota que, fora do cárcere, poderá voltar a coagir testemunhas e embaraçar as investigações e instruções ainda pendentes".
A resolução do CNJ sugere que os juízes reavaliem as prisões provisórias de “mulheres gestantes, lactantes, mães ou pessoas responsáveis por criança de até doze anos ou por pessoa com deficiência, assim como idosos, indígenas, pessoas com deficiência ou que se enquadrem no grupo de risco”.

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