domingo, 2 de janeiro de 2022

Polícia faz buscas em casa e clínica de pastor preso por abuso sexual, e mais vítimas o denunciam

 


Sérgio Brito é pastor presidente de duas igrejas evangélicas Assembléia de Deus e também atua como psicanalista, sexólogo e terapeuta; Tem programa em uma das maiores rádios evangélicas do país;  Desde que ele foi preso, outras três mulheres se apresentaram como vítimas.




A Polícia Civil faz buscas na casa e na clínica do pastor e psicanalista Sérgio Brito, preso na quinta-feira (16), suspeito de abusos sexuais contra fiéis e pacientes.

Ao menos dez mulheres disseram que foram vítimas do pastor. Desde a prisão, mais três mulheres procuraram os investigadores responsáveis pelo caso para fazer denúncias.

Entre elas, uma relatou que o abuso aconteceu há oito anos, em 2013. Outra vítima disse que foi abusada quando era menor de idade.

O pastor deve ser levado ainda nesta sexta (17) para o presídio de Benfica.

Preso por estupro de vulnerável


Sérgio Brito, presidente de duas unidades da igreja Assembleia de Deus, em Duque de Caxias e em Magé, na Baixada Fluminense, foi preso por estupro de vulnerável.


Além de ser líder religioso, Sérgio Brito também atua como psicanalista, sexólogo e terapeuta de adultos, casais e adolescentes. Ele também participa, semanalmente, de um programa na Rádio Melodia, uma das maiores rádios evangélicas do país.

Uma das possíveis vítimas de Sérgio Brito contou que passou por uma sessão de hipnose e acordou nua na frente do pastor.

"Ele me abraça e acaba ali. Depois, eu estou deitada de novo com as minhas calças abertas e ele com a mão dentro da minha vagina", revelou ela.

Para um parente da vítima, Sérgio disse que utilizava uma técnica internacional de tratamento.


Fiéis em busca de ajuda


Sem revelar sua identidade, uma mulher de 21 anos contou que frequentava a igreja de Duque de Caxias com o ex-marido, local onde conheceu Sérgio Brito. Depois da separação, o pastor ligou para ela e ofereceu ajuda.

"Ele disse que poderia me ajudar, já que eu estava decidida a me separar. Ele disse que me dava total apoio e que ele atendia numa clínica em Piabetá. Eu disse a ele que estava com ansiedade, falta de atenção. Aí, ele me disse que poderia me ajudar nessa clínica", disse a vítima.

Após pagar a consulta no valor de R$ 700, a jovem passou por uma sessão de hipnose. Segundo ela, o atendimento parecia um relaxamento mental.

"Ele manda você fechar o olho, deitar e começa a mexer na sua cabeça. Ele começa a falar e manda você repetir as coisas", explicou.

Contudo, após esse primeiro momento de relaxamento, a vítima disse que perdeu a consciência por algum tempo e que quando acordou, o pastor estava com as mãos dentro de sua calça.

Quando acordou assustada com a situação, a mulher se levantou e saiu correndo do consultório do psicanalista.

'Técnica internacional', diz pastor

Assim que souberam do abuso, os pais da jovem foram até a igreja para conversar com o pastor. Eles gravaram as explicações de Sérgio Brito, que afirmou utilizar uma técnica de terapia internacional.


"Eu até corro muito risco por usar algumas técnicas. Na verdade, eu trouxe essas técnicas. Essa técnica não é daqui do Brasil. Eu fiz pesquisas e trouxe algumas técnicas e há 17 anos eu só faço essa terapia quando a pessoa fica mais à vontade para fazer", disse Sérgio Brito.


Atendimento de cueca


Uma outra vítima contou que conheceu o pastor na igreja de Magé, local que frequentou por três anos. Segundo ela, a confiança em Sérgio Brito era tão grande que ele foi escolhido para celebrar o casamento dela com o marido.

Porém, ao relatar um problema que estava afetando sua vida sexual, o pastor disse que sessões de terapia poderiam ajudar.

"A gente começou a fazer o tratamento na igreja e quando foi março, a gente começou a tratar na clínica", disse ela.

Contudo, durante uma sessão, ele disse que a vítima precisava tratar a autoestima e, para isso, teria que tirar a roupa.

"Ele falou: 'você vai tirar sua blusa, sua calça e vai deitar de calcinha e sutiã no sofá'. Eu falei: 'mas é necessário?' Eu sou muito tímida, tenho muita vergonha. Ele disse: 'é necessário porque faz parte do tratamento'", contou a mulher.

A vítima do pastor contou que deitou de olhos fechados e ficou repetindo algumas frases ditas por Sérgio Brito.

"Quando eu abri os olhos, ele estava só de cueca. Ele tinha tirado a roupa toda",


 As vítimas prestaram queixa na Delegacia de Piabetá, que está investigando o caso. Uma delas contou que a família tem recebido ligações com ameaças após ela ter relatado o caso à polícia.

"Ele usava de hipnose para poder abusar sexualmente dessas mulheres. Para cada crime de estupro de vulnerável ele está sujeito a uma pena de até 15 anos de reclusão", disse o delegado Ângelo Lages, responsável pela prisão.

Fim dos abusos

Com a prisão de Sérgio Brito nesta quinta-feira, uma das vítimas disse que espera que ele pague pelo crime que cometeu.

"Eu fui lá buscar ajuda de um psicanalista e de um pastor. Eu não fui para qualquer pessoa. Eu não achei ele em qualquer lugar. Eu achei ele na igreja. Uma pessoa que eu confiava, que eu achei que poderia confiar"

O que dizem os envolvidos


Após as denúncias de assédio, duas reuniões foram marcadas na igreja Assembleia de Deus de Magé. O objetivo é definir o futuro do pastor.

Na delegacia, Sérgio Brito não quis comentar as acusações.

A TV Globo tentou contato com a Rádio Melodia, mas também não teve resposta.



G1



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