terça-feira, 31 de março de 2020

Pacientes com Covid-19 e familiares criticam pronunciamentos de Bolsonaro


Pacientes com Covid-19 e familiares criticam pronunciamentos de Bolsonaro
Foto: Divulgação
Pessoas que contraíram a Covid-19 e familiares de vítimas do vírus ouvidos pela reportagem foram unânimes em criticar os pronunciamentos na televisão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a gravidade da pandemia.


Na terça e quarta-feira da semana passada (24 e 25), Bolsonaro minimizou a doença causada pelo coronavírus e criticou o isolamento social. No domingo (29), o presidente passeou pelo comércio do Distrito Federal, momento em que a OMS (Organização Mundial da Saúde) e o próprio Ministério da Saúde recomendam isolamento social para evitar o contágio do novo coronavírus.

Para o advogado André de Godoy Fernandes, 50, que perdeu o pai devido a complicações causadas pela Covid-19 no dia 16 de março, ouvir o pronunciamento do presidente na noite de terça-feira foi um "desprazer".

"Ele provou que é uma pessoa incapaz de sentir empatia e desqualificado para governar o país em uma situação de crise", disse Fernandes.

Seu pai, o engenheiro Antônio Luiz Fernandes, foi internado no dia 9 de março, sem os cuidados de isolamento. "Estavam começando a falar da epidemia aqui no Brasil. Minha irmã, a minha madrasta e eu acompanhamos meu pai no hospital sem nenhuma proteção. Nem os enfermeiros usavam máscaras o tempo todo", conta.

O engenheiro, que tinha 77 anos e sofria de uma doença pulmonar, morreu antes que o resultado positivo para o coronavírus chegasse. "Minha impressão é de que há um atraso de informação. Como não se testou maciçamente a população, não se sabe ao certo quantos estão contaminados. Os números que vemos são a ponta do iceberg", afirma Fernandes.

O advogado entende a preocupação com a economia, mas diz que o importante agora é garantir a vida das pessoas. "Infelizmente, o presidente que está aí não é capaz nem de uma coisa nem de outra."

O autônomo Francesco Palumbo, 24, considera a fala do presidente uma demonstração de despreparo. "Não tenho palavras para definir um pouco caso desses", afirmou.

Palumbo perdeu o avô na manhã da última quarta (25), uma semana após a manifestação dos primeiros sintomas da doença. O paciente sofreu uma parada cardíaca e teve morte súbita cerca de quatro dias após ter sido liberado do hospital onde estava internado, na zona leste de São Paulo.

"Uma postura dessas [do presidente] é lastimável diante da situação que o país e o mundo estão vivendo. A população se vê desamparada", afirmou o neto. "Isso é muito grave, e vai matar a população. Esse ser humano que está no poder está alimentando tudo isso."

A advogada Daniela Teixeira, 48, também repudiou as falas de Bolsonaro. Ela contraiu a doença em um evento de trabalho e foi a primeira pessoa a se curar da Covid-19 no Distrito Federal, onde mora.

"O conselho do presidente é temerário, absurdo e coloca em risco a população brasileira. Ele vai contra o que os líderes de todas as nações do mundo estão falando. Quando ele se preocupa com a economia, esquece o povo. Do que adianta ter um emprego e morrer?"

Teixeira teve contato com o vírus em um evento de trabalho e ressaltou a importância de fazer a quarentena para diminuir a contaminação. "Qual a necessidade de a minha filha de seis anos voltar para a escola agora? Nenhuma. Ainda que ela perca seis meses, o ano [escolar], diante de uma pandemia mundial, eu como mãe não posso deixar que ela traga o vírus para dentro de casa ou leve para fora."

Suzana, uma bióloga de 47 anos que não quis ter o seu sobrenome publicado, disse achar a fala do presidente "extremamente irresponsável".

"Peguei o vírus ao ficar sentada a um metro de distância de uma pessoa que não tinha sintomas, não estava tossindo. Nem encostei nela. Esse vírus é muito mais contagioso do que o presidente acha", afirmou.

A esposa de Suzana foi contaminada por tabela. Ambas estão em isolamento domiciliar e não irão ao hospital por não terem sintomas graves --até agora, elas sentiram dores na cabeça e no corpo, febre baixa e enjoo. Tiveram pouca tosse e não sentiram falta de ar.

Ambas estão confinadas desde 9 de março, quando os sintomas começaram. A esposa de Suzana sai de casa apenas para ir ao mercado e à farmácia, usando luvas de plástico e uma máscara.

A bióloga contraiu a doença de uma estudante de 22 anos durante uma reunião com ela e uma professora de 69 anos. A estudante apresentou manchas no pulmão e outros sintomas graves, e está tomando medicação antirretroviral e antibióticos. A professora, mesmo sendo mais velha, não teve nenhum sintoma até agora.

"Acho absurdo como Bolsonaro pode falar esse tipo de coisa sendo que a própria equipe dele ficou doente", disse Suzana. "Não é uma doença de velho nem uma doença de rico."


Em nota, BH Urbanismo e Alpha Parque lamentam morte de sócio por Covid-19; 2ª morte na Bahia

A segunda morte pelo Covid-19 é do engenheiro civil e sócio da EBISA, Marcos José Ramos Souza, 64 anos. Em nota, as direções do BH Urbanismo e do Alpha Parque Recôncavo informaram que Marcos faleceu na noite desta segunda-feira (30), no Hospital Aliança em Salvador. Ele foi diagnostica com Covid-19 agravado por histórico de hipertensão e diabetes. Marcos deixa esposa e duas filhas.
blogdovalente

Desafio da Educação do século XXI, com professor da UEFS e coordenadora do Colégio Novo Espaço

Uma live com o tema  Desafio da Educação do século XXI no contexto da pandemia, nesta terça-feira 31, às 17:30h .
O Professor da UEFS Nildon Pitombo e a professora e coordenadora do Colégio Novo Espaço Fernanda Mascarenhas.
A Live será transmitida na página do Colégio Novo Espaço no Instagram .

Fiquem ligados ! 

Petrobras reduz preço do gás de cozinha em 10% a partir desta terça (31)


Casa São Luiz

A Petrobras anunciou na última segunda-feira (30), que irá reduzir em 10% seus preços para todas as categorias de produtos de gás de cozinha a partir de hoje (31). Com mais essa redução, o preço do produto acumula corte de 21% nos preços neste ano.

Justiça determina que João de Deus vá para prisão domiciliar


Médium João de Deus ao levado para a prisão por agentes da Polícia Civil
A Justiça determinou que João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, vá para prisão domiciliar. A decisão da juíza Rosângela Rodrigues dos Santos levou em consideração uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que recomendou aos magistrados que, em razão da pandemia de coronavírus, analisassem os casos de detentos que integram os grupos de risco, como os idosos – João Teixeira tem 78 anos.
De acordo com a decisão, o médium está proibido de deixar sua residência em Anápolis (GO) e não pode frequentar a Casa de Dom Inácio de Loyola, centro onde dava atendimento espiritual desde a década de 1970 e onde abusou sexualmente de fiéis. Ele deverá usar tornozeleira eletrônica.
A Justiça também proibiu João Teixeira de Faria de manter contato com vítimas ou testemunhas dos processos em que ele é réu. Ele já foi condenado em duas ações a que responde por crimes sexuais: na sentença mais recente, de janeiro, a condenação foi de 40 anos de prisão por estupro de vulnerável, cometido contra cinco mulheres. Em dezembro, ele já havia recebido uma pena de 19 anos e quatro meses de prisão por dois casos de violação mediante fraude e dois de estupro de vulnerável.
O médium, que está em uma penitenciária de Aparecida de Goiânia (GO) desde dezembro de 2018, também já foi condenado por posse ilegal de arma de fogo e é alvo de outras denúncias por crimes sexuais apresentadas pelo Ministério Público de Goiás. O alvará de soltura ainda não havia sido expedido até o fim da tarde desta segunda-feira.
Em nota, a força-tarefa do Ministério Público de Goiás responsável pelas denúncias contra o médium afirmou que vai recorrer da decisão, "tendo em vista que se trata de réu condenado em primeiro grau, cujas penas totalizam mais de 60 anos de prisão". Segundo o promotor de Justiça Luciano Miranda, coordenador da força-tarefa, João Teixeira "responde a uma dezena de ações penais por crimes sexuais e também pelo delito de coação de testemunha no curso do processo, o que denota que, fora do cárcere, poderá voltar a coagir testemunhas e embaraçar as investigações e instruções ainda pendentes".
A resolução do CNJ sugere que os juízes reavaliem as prisões provisórias de “mulheres gestantes, lactantes, mães ou pessoas responsáveis por criança de até doze anos ou por pessoa com deficiência, assim como idosos, indígenas, pessoas com deficiência ou que se enquadrem no grupo de risco”.