terça-feira, 14 de julho de 2020

Pandemia faz número de falências crescer 71,3% em junho; especialistas esperam piora

Pandemia faz número de falências crescer 71,3% em junho; especialistas esperam piora

Após quatro meses do início da pandemia e das medidas de isolamento social, as empresas estão começando a sofrer por falta de caixa e incapacidade para pagar dívidas. Segundo levantamento da Boa Vista SCPC, em junho, o número de pedidos de recuperação judicial cresceu 44,6% e o de falências decretadas, 71,3% em relação ao mesmo período em 2019.

Segundo especialistas, o o movimento está apenas no começo e deve se acelerar ao longo deste semestre tanto no número de recuperações judiciais como no de falências.

Essa primeira onda de processos judiciais envolve empresas que já vinham tendo problemas financeiros antes da pandemia. "O coronavírus foi a gota d’água para aquelas companhias que ainda tentavam se recuperar das crises de 2008 e 2014", diz o sócio fundador da DASA Advogados, Carlos Deneszczuk.

O advogado representa a rede de roupas masculinas Fatto a Mano, que entrou em recuperação judicial no fim do mês passado. Com uma dívida de cerca de R$ 40 milhões, a empresa vinha sendo pressionada pelos credores quando praticamente perdeu todo o seu faturamento em virtude da doença.

Na avaliação do sócio-diretor da consultoria Alvares & Marsal, Eduardo Seixas, o crescimento dos processos judiciais ainda está baixo comparado ao tamanho da crise. Para ele, uma das explicações é que os credores estão mais sensíveis à situação provocada pela pandemia e estão evitando recorrer a execuções de garantias – um dos fatores que acabam levando as empresas à recuperação judicial.

Além disso, muitas companhias aguardam a aprovação de um projeto de lei que está no Senado e que daria um pouco mais de tempo para as empresas equalizarem suas contas.

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