segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Arcebispo de Belém acusado de abusos

 





Dom Alberto Taveira Corrêa é acusado de assédio moral e sexual por quatro ex-seminaristas. 

As acusações de assédio sexual contra o arcebispo de Belém do Pará, dom Alberto Taveira Corrêa, que vieram à tona na última semana, podem ser o primeiro caso de abuso com grande repercussão no Brasil a ser investigado pelo Vaticano sob as novas regras anunciadas pelo papa Francisco em dezembro de 2019 para combater a pedofilia na Igreja. Entre as mudanças está a abolição do segredo pontifício nos inquéritos de violência sexual e de abuso de menores de idade e assistência às vítimas. Com isso, pode em teoria receber um tratamento diferente de denúncias passadas contra padres, muitas delas acobertadas pela Igreja Católica. 

Há, no entanto, muito ceticismo por parte de analistas sobre até que ponto as novas regras terão efeito na prática.

Conforme revelado pelo Fantástico, da TV Globo, dom Alberto foi acusado de assédio moral e sexual por quatro ex-seminaristas que frequentaram sua casa entre 2010 e 2014. As acusações estão sendo investigadas pela Polícia Civil, a pedido do Ministério Público do Pará.

De acordo com a reportagem, um representante do Vaticano veio ao Brasil para apurar as denúncias. O Vaticano, no entanto, por meio da Congregação da Doutrina da Fé, órgão competente para apurar casos de pedofilia na Igreja, não informa se existem queixas contra o religioso.

Procurado pela reportagem da BBC News Brasil, o advogado do arcebispo, Roberto Lauria, disse não estar autorizado a falar com a imprensa por ter uma cláusula de confidencialidade com a arquidiocese de Belém. Em vídeo divulgado, o arcebispo negou o que chamou de falsas acusações de imoralidade.

"A notícia dos supostos abusos nos deixou surpresos", disse em entrevista à BBC News Brasil o padre José Otácio Oliveira Guedes, reitor do Pontifício Colégio Pio Brasileiro, instituto mantido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em Roma e frequentado principalmente por clérigos brasileiros.

"Os comentários entre os que conhecem dom Alberto são de surpresa, devido ao seu importante histórico de atuação na Igreja Católica e ao seu comportamento sempre ilibado e cordial."

Mesmo sem citar o caso específico, o reitor acredita que graças às regras introduzidas pelo papa Francisco, os casos de pedofilia envolvendo religiosos poderão ser esclarecidos mais facilmente. "A minha percepção é que estas mudanças são iluminadoras, porque hoje a vítima tem chance de obter Justiça."

"Uma destas novas regras prevê, por exemplo, o afastamento imediato do religioso quando a acusação de abuso sexual é feita por um menor de idade. Esta e outras medidas impedem a reincidência destes crimes que até então poderiam ocorrer devido à lentidão das investigações."

E acrescentou: "Agora, as denúncias de abuso sexual devem ser comunicadas imediatamente ao bispo e à Congregação da Doutrina da Fé, que é o órgão competente para apuração deste casos".

A Igreja Católica é alvo de milhares de denúncias em todo o mundo de abusos sexuais cometidos por padres e de acusações de acobertamento por parte da comunidade eclesiástica.

Quando virou papa, em 2013, Francisco pediu uma "ação decisiva" sobre o tema. E desde então, tem enfrentado sérias pressões para gerar soluções viáveis ??para a crise que assolou a Igreja nos últimos anos.

Em agosto de 2018, o líder religioso escreveu a todos os católicos condenando o abuso sexual clerical e exigindo o fim do acobertamento.

E, no fim de 2019, decidiu abolir a vigência do chamado "segredo pontifício" em relação às denúncias de abusos de menores, em uma tentativa de dar mais transparência a esses casos.

A Igreja até então tratava oficialmente os casos de abuso sexual em sigilo, no que alegava ser um esforço para proteger a privacidade das vítimas e a reputação dos acusados.

'Antes existia o segredo absoluto' 

Na avaliação de Marco Politi, um dos principais vaticanistas da Itália e autor de nove livros sobre a Santa Sé, o papa Francisco fez duas mudanças importantes para combater a pedofilia na Igreja.

fonte: uol

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