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Tricampeão brasileiro, baiano entrou no karatê ao assistir filme de Van Damme: 'Virei fã'


Tricampeão brasileiro, baiano entrou no karatê ao assistir filme de Van Damme: 'Virei fã'

O filme "O Grande Dragão Branco", lançado em 1988, foi um dos primeiros protagonizados pelo ator Jean-Claude Van Damme. Na película, baseada em fatos reais, o belga viveu o soldado americano Frank Dux, que driblou o exército dos Estados Unidos para disputar o torneio clandestino e mortífero, chamado Kumite, uma espécie de UFC sem regras que reunia lutadores de variadas modalidades, em Hong Kong. O jovem colocou em prática tudo o que aprendeu de artes marciais com o seu mestre Senzo Tanaka. Na história real, o personagem principal se tornou o primeiro ocidental a ganhar a competição. Entre 1975 e 1980, ele participou de 329 lutas sem nunca ter perdido.

 

O Grande Dragão Branco fez sucesso na época. O duelo final entre Frank Dux e Chong Li, interpretado pelo chinês Bolo Yeung, se tornou um clássico do gênero e conquistou muitos garotos entre o final da década de 80 e início de 90, inclusive Rivailton Veloso, que conquistou o tricampeonato brasileiro consecutivo de karatê na semana passada . Nascido em Salvador, o carateca revelou ao Bahia Notícias que decidiu aprender a luta marcial ao se tornar fã de Van Damme pela atuação no filme.

 

"Quando criança eu assisti O Grande Dragão Branco com Jean-Claude Van Damme. Sempre fui fã dele, desde quando vi este filme pela primeira vez. Me deixou doido para fazer karatê".

Foto: Reprodução

 

Van Damme se tornou ator por ser especialista em lutas marciais, como Karate Shotokan, Muay Thai, Taekwondo WTF, Full Contact, KickBoxing. Como lutador, conquistou títulos europeus de karatê e se notabilizou pela execução de um golpe que atinge a cabeça do adversário durante um giro de 360 graus. Atenção para o alerta de spoiller se você ainda não assistiu O Grande Dragão Branco, é assim que ele nocauteia Chong Li e o faz pedir para encerrar a luta na final do torneio.

 

"Ele é carateca, então sou fã do cara", disse. 

 

Motivado pelo filme, Rivailton começou no karatê aos 10 anos de idade em 1992. Atualmente, aos 39 anos, o administrador de empresas é faixa preta quarto Dan, que vai até o 10º, e coleciona títulos estaduais, regionais e nacionais.

 

"Conversei com meu pai e ele me colocou no karatê. Não tem nenhum atleta na família, só eu. Geralmente os pais que treinam colocam seus filhos. No meu caso, a iniciativa partiu exclusivamente de mim. E graças a Deus, meu pai conseguiu me colocar no karatê", destacou.

 

INSPIRAÇÃO NA ESCRITA

Além do esporte, o filme de Van Damme também inspirou Rivailton a escrever. Previsto para o próximo mês de fevereiro, o carateca está perto de lançar um livro, intitulado "A Arte de se viver bem - Uma filosofia para a vida dentro e fora dos tatames".

 

"Foi um filme marcante para a época, mostrando não só o lado da luta, mas o controle emocional, o domínio sobre a mente", falou. "É um livro exatamente para quem não é praticante das artes marciais. Mas para quem não pratica, será um divisor de águas no que se diz em evoluir espiritualmente. Ser uma pessoa melhor 1% por dia. E no final de um ano, você terá evoluído 365%", explicou.

Arte: Reprodução

 

A ideia do livro surgiu em dezembro de 2020. Rivailton começou a escrever em janeiro e terminou em abril de 2021. Depois, passou pelo processo de correção, parte gráfica e foi finalizado em dezembro passado. A obra está sendo produzida por uma gráfica em Porto Alegre.

 

"Procurei várias editoras e gráficas aqui em Salvador e em Feira de Santana, mas ficou muito caro. Bahia é complicado... Eu tive que pesquisar em outro estado e mesmo com frete, de 600 e poucos reais, o livro sairia mais caro se eu fizesse aqui. O pessoal da terra não valoriza o pessoal da terra. É complicadíssimo em todos os aspectos. É fogo!", lamentou.

 

BANCADO DO PRÓPRIO BOLSO

Apesar dos inúmeros títulos conquistados, Rivailton Veloso nunca teve um patrocinador. "Tive paitrocinador", brincou o carateca.

 

"Desde novinho nunca tive patrocinador. Várias vezes não consegui competir, porque não tinha como viajar. Hoje a mídia é grande, se faz vaquinha virtual de tudo. E antigamente nem celular tinha. Aí era ainda mais complicado", contou.

Foto: Arquivo Pessoal

 

Inclusive a última etapa do Campeonato Brasileiro de Karatê, em que foi tricampeão, aconteceu na cidade de Caucaia, no Ceará. A viagem foi toda bancada por ele mesmo. Por causa disso, participar de uma competição internacional é algo que está fora dos planos.

 

"Estava pesquisando para ir para Espanha. Só de passagem seria R$ 6.500. Sem condições. Tudo muito caro e sem patrocinador complica ainda mais. Mas é assim mesmo. Vai que com a ajuda da venda desse livro, eu consiga disputar uma competição internacional?", afirmou.

 

Quando consegue viajar para disputar algum torneio fora do estado, Rivailton vê as diferenças dos atletas que tem patrocinadores.

 

"Em São Paulo e Rio de Janeiro, os atletas têm nutricionista. Quando chega no horário da refeição, cada um recebe sua quentinha com suas dietas determinadas e separadas. Lá, eles têm patrocínios, o clube às vezes patrocina. Tem atletas do Vasco, que acredito, que acabam recebendo a passagem de ida e volta. Aqui é complicado. Mas é isso mesmo, não podemos nos queixar não. Temos que agradecer e ir para cima. É o que eu faço, agradeço, continuo treinando, focado e é mais um título. É assim que a gente acaba lidando com a vida. A evolução espiritual é exatamente essa. É o poder de suportar as adversidades e continuar no seu propósito fazendo o que é certo, é mais ou menos essa a pegada do livro", finalizou o tricampeão brasileiro.

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