Representantes das instituições alertaram para déficit financeiro e solicitaram apoio dos vereadores para garantir a continuidade de serviços de alta complexidade
A saúde de alta complexidade em Salvador foi tema de destaque na Tribuna Popular da Câmara Municipal, na tarde desta segunda-feira (8), com a presença de representantes de dois grandes hospitais prioritariamente mantidos por recursos do Sistema Único de Saúde (SUS).
Sob a liderança do vereador Maurício Trindade (PP), representantes da Liga Baiana Contra o Câncer, mantenedora do Hospital Aristides Maltez, e do Hospital Martagão Gesteira apresentaram aos vereadores as principais demandas das instituições.
Com o compromisso de dar continuidade ao propósito filantrópico do Aristides Maltez, Maria Romilda Maltez solicitou apoio para a construção de um centro de diagnóstico oncológico e de um estacionamento destinado a veículos vindos do interior, em dois terrenos desocupados pertencentes à Aeronáutica do Brasil, localizados em frente à unidade. Segundo ela, além de proporcionar mais conforto aos pacientes, a iniciativa contribuirá para a melhoria do tráfego na Avenida Dom João VI, em Brotas.
Já Cláudia Macedo Cruz, representante do Martagão Gesteira, alertou para a grave crise financeira enfrentada por um dos maiores hospitais exclusivamente pediátricos do Brasil, que já resultou no fechamento de leitos e pode comprometer a continuidade de serviços e programas de alta complexidade.
60 anos
“Este ano, o Martagão, que completa 60 anos, tem previsão de déficit de R$ 20,3 milhões. Viemos a esta Casa solicitar que os vereadores destinem emendas à nossa instituição, para que possamos complementar os recursos oriundos do governo”, conclamou.
Ela destacou que o Martagão atende crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, exclusivamente pelo SUS, totalizando cerca de 500 mil atendimentos anuais, com grande relevância nas áreas de oncologia e neurocirurgia.
“Somos responsáveis por 47% dos atendimentos oncológicos de crianças e adolescentes, realizamos 100% dos transplantes de medula óssea e 23% das cirurgias cardíacas, sendo que esse número já chegou a 40%, mas tivemos que reduzir, motivo que nos traz aqui”, explicitou, arrematando que 40% dos atendimentos são para o município de Salvador.
Cláudia concluiu ressaltando a importância da mobilização dos parlamentares: “Toda e qualquer emenda fará diferença para que possamos continuar prestando um serviço digno, de qualidade e tão impactante para nossas crianças. De antemão, agradeço a sensibilidade desta Casa e do presidente Carlos Muniz, que esteve no Martagão e nos fez este convite, que tanto nos honra”.
Emendas
O vereador Maurício Trindade defendeu a união entre Câmara Federal, Assembleia Legislativa e Câmara Municipal para destinar emendas de bancada e individuais que ajudem a reduzir o déficit do Martagão Gesteira e apoiem também o Aristides Maltez. “São instituições de enorme importância para nossa cidade e para o nosso estado”, afirmou.
“Salvador e a Bahia são privilegiadas por possuírem três hospitais de referência: Obras Sociais Irmã Dulce, Aristides Maltez e Martagão Gesteira”, complementou o vereador Orlando Palhinha (União).
Por fim, o vereador Cezar Leite (PL) destacou que o Aristides Maltez é um hospital de ponta que, muitas vezes, supera a rede privada. “Portanto, tanto o Maltez quanto o Martagão contem conosco em termos de apoio e da força que iremos buscar”, concluiu.
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Aladilce propõe audiência para
revitalizar a Baixa dos Sapateiros
Em reunião com moradores e comerciantes, sugestões apontaram transporte, segurança e incentivo cultural como prioridades para recuperar a histórica avenida
Em reunião com comerciantes, moradores e amigos da Avenida Baixa dos Sapateiros, na manhã do dia 4, a vereadora Aladilce Souza (PCdoB) ouviu sugestões para revitalizar a área comercial, que já foi uma das mais movimentadas do Centro Histórico de Salvador.
Famosa por ter inspirado Ary Barroso a compor a segunda música mais regravada do Brasil, Na Baixa do Sapateiro, a via está “em situação crítica, precisando de atenção dos poderes públicos”, como definiu o produtor cultural e morador Geraldo Badá, ao se referir à quantidade de lojas fechadas, à falta de segurança, de transporte coletivo e à iluminação deficiente.
Entre as propostas apresentadas pelo jornalista James Martins estão: a criação de um projeto com incentivos e créditos específicos para investidores na área; a atração de eventos, como o Dia do Samba, comemorado em 2 de dezembro; a diversificação das atividades econômicas; e a implantação do busto de Ary Barroso no Mercado de São Miguel, já prevista em lei desde a década de 1960, como forma de incentivar a vocação cultural da Baixa dos Sapateiros, patrimônio histórico tombado pela Unesco.
Audiência pública
Aladilce relembrou outras reuniões das quais participou em defesa da revitalização da área e apoiou a criação de uma entidade representativa de moradores, comerciantes e amigos da Baixa dos Sapateiros. Ela se comprometeu a requerer a realização de uma audiência pública na Câmara para reunir a comunidade local e representantes dos órgãos públicos responsáveis pelas soluções. Também propôs a inclusão da Semana do Samba no calendário de festas da cidade, com programação em diferentes espaços, inclusive na Baixa dos Sapateiros, até o Dia do Samba.
Segundo a vereadora, uma das causas do esvaziamento do comércio local foi a redução drástica de linhas de ônibus. O empresário Antônio Silveira concordou com a deficiência do transporte coletivo e sugeriu que as linhas atuais voltem a circular até o Terminal da Barroquinha, em vez de subir a Ladeira de Santana.
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Vereador Hamilton Assis critica o
projeto de privatização da Codeba
Parlamentar se solidariza com trabalhadores portuários e alerta que proposta do governo federal é uma ameaça à soberania do complexo portuário
O vereador Hamilton Assis (PSOL) manifestou apoio aos trabalhadores do setor portuário da Bahia que se mobilizaram contra o projeto de concessão dos portos administrados pela Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba). Para o parlamentar, a proposta representa uma privatização disfarçada, que enfraquece a empresa pública e favorece interesses privados.
Segundo Hamilton Assis, o modelo apresentado pelo governo federal retira da Codeba sua função de autoridade portuária, reduzindo 75% de suas atribuições e transferindo-as a concessionárias privadas. “A medida é uma ameaça à soberania do complexo portuário baiano, composto pelos portos de Salvador, Aratu-Candeias e Ilhéus, além de colocar em risco empregos, direitos trabalhistas e a capacidade de planejamento estratégico público”, diz o vereador.
Hamilton Assis também critica os investimentos previstos no projeto de concessão, avaliados em R$ 1,6 bilhão ao longo de 35 anos. Ele comparou o valor com os aportes recentes da própria Codeba, que aplicou R$ 1,5 bilhão na infraestrutura de Aratu-Candeias nos últimos quatro anos e cerca de R$ 850 milhões em modernização de equipamentos no Porto de Salvador. “O que está em jogo não é falta de investimento público, mas um projeto político de entrega do nosso patrimônio estratégico ao setor privado”, disse.
Hamilton Assis destacou que defender a Codeba é defender o serviço público, os direitos da classe trabalhadora e a soberania nacional. Ele reafirmou seu compromisso com a mobilização dos portuários e conclamou a sociedade baiana a se posicionar contra a privatização. “Nossos portos não estão à venda”, afirmou.
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Iniciativa Negra celebra
10 anos em sessão especial
Sob a condução de Marta Rodrigues, fundadores destacam conquistas e avanços no debate sobre política de drogas no Brasil
A Câmara Municipal de Salvador realizou, no dia 4, uma sessão especial em comemoração aos 10 anos da organização Iniciativa Negra. A atividade foi presidida pela vereadora Marta Rodrigues (PT). A celebração ocorreu no auditório do Centro de Cultura e contou com intervenções artísticas e debates, conduzidos pelos mestres de cerimônia Má Reputação e Lucas de Matos.
“A sessão teve enorme importância para esta Casa e enriquece ainda mais o Legislativo, com a Iniciativa Negra ocupando este espaço na luta contra o racismo estrutural, o encarceramento em massa e o genocídio da juventude negra. Ao celebrarmos os 10 anos da Iniciativa na Casa do povo de Salvador, reafirmamos nosso compromisso com políticas públicas antirracistas e com a construção de um futuro no qual a juventude negra possa existir plenamente”, afirmou Marta Rodrigues.
Segundo a vereadora, a política pode e deve ser instrumento de emancipação. “É isso que a Iniciativa faz ao produzir conhecimento, ciência e propostas concretas para uma nova política sobre drogas”, destacou.
O evento marcou a trajetória da organização e trouxe uma programação que uniu arte, música, dança e painéis, com a participação de artistas como o coletivo Afrobapho e o ator Leno Sacramento, do Bando de Teatro Olodum.
Histórico
Fundada em 2015, a Iniciativa Negra é reconhecida nacionalmente como a primeira organização negra do país a assumir o compromisso de debater e propor soluções para a reforma da política de drogas a partir de uma perspectiva racial, fortalecendo a democracia e o combate ao racismo estrutural no Brasil.
Para Dudu Ribeiro, cofundador da Iniciativa Negra, um dos grandes legados da instituição nesses anos “é sair do campo da denúncia, que iniciamos com a voz, a visibilidade e a nitidez para o tema da política de drogas e seu impacto desproporcional na população negra”.
A cofundadora Nathália Oliveira também destacou uma das maiores conquistas da organização. “A primeira, indiscutivelmente, é a racialização do debate sobre política de drogas e direitos humanos no Brasil. Essa foi uma conquista que começamos a provocar. Não fizemos sozinhos, foi uma construção coletiva, mas foi uma provocação lançada por nós ao movimento negro brasileiro e a toda a sociedade”, afirmou.
O encontro reafirmou a relevância da Iniciativa Negra como espaço de articulação política e cultural, reunindo ainda o vereador Hamilton Assis (PSOL); a deputada estadual Olívia Santana (PCdoB); a representante das Mães de Maio Nordeste, Rute Fiuza; Bianca Souza, do Odara – Instituto da Mulher Negra; Nilma Santos, do Que Ladeira é Essa?; Luana Malheiro, da Plataforma Brasileira de Política de Drogas; Pablo Nunes, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania; Clara Lopes Cabral, do Quilombo Bananeira; e Samira Soares, coordenadora do Movimento Negro Unificado.

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