A geografia de Jaguaripe impõe um desafio constante a qualquer gestão que ouse administrar o município: sua vasta e complexa extensão territorial. Longe de ser um problema de um ou outro governo, essa é uma questão crônica que afeta a eficiência dos serviços públicos e a vida de milhares de moradores, tornando a fiscalização uma verdadeira maratona para os vereadores.
Não se trata de criticar a atual gestão, do prefeito Dr. Fábio, ou a anterior, do ex-prefeito Dr. Arandas. O ponto é que Jaguaripe é um município de realidades múltiplas e distantes, e é preciso que o poder público reconheça e aja diante dessa realidade.
O Exemplo da Distância: Do Sertão à Costa
Para entender a dimensão do problema, basta olhar para o mapa. Enquanto a sede municipal e a região de Capão I estão em uma área mais interiorana, as comunidades da zona da costa, como Mutá, Cassoes e Pirajuia, vivem uma realidade completamente diferente, geograficamente isoladas do centro administrativo.
Essa distância não é apenas física, mas também administrativa. A logística para o poder público levar serviços essenciais – como saúde, educação e infraestrutura – a todas essas localidades é um verdadeiro desafio. Para os cidadãos, o acesso a serviços básicos ou a simples busca por atendimento na prefeitura se torna uma jornada, gerando frustração e a sensação de abandono.
Subprefeitura: Um Modelo a Ser Expandido
É importante destacar que a ideia de descentralizar o governo não é nova. Na gestão do ex-prefeito Dr. Arandas, foi criada uma subprefeitura na região das praias, um avanço que merece ser reconhecido. Isso mostra que o problema da distância já foi identificado e que uma solução, mesmo que parcial, foi implementada.
Diante disso, a questão que se coloca é: por que não expandir esse modelo? O sucesso da subprefeitura na costa demonstra que a iniciativa é viável. A região do Capão I, por exemplo, que também sofre com a distância do centro, seria a próxima área ideal para receber uma subprefeitura. Isso aproximaria a gestão do povo e facilitaria a vida dos moradores, que não precisariam mais se deslocar por longas distâncias para ter suas necessidades atendidas.
O Papel da Câmara: Fiscalizar e Inovar
A Câmara de Vereadores também enfrenta um desafio monumental. A extensa área a ser fiscalizada exige dos representantes eleitos um esforço redobrado para garantir que os recursos públicos sejam bem aplicados em todas as regiões. O papel do vereador, nesse contexto, é fiscalizar o Executivo e, principalmente, cobrar soluções inovadoras e descentralizadas para os problemas do município.
É hora de superar a política de "um tamanho serve para todos" e pensar em soluções que levem em conta a diversidade e a geografia de Jaguaripe. Expandir o modelo de subprefeituras pode ser o primeiro passo para garantir que o município, em toda a sua extensão, seja de fato atendido e valorizado. O povo de Jaguaripe merece uma gestão que não se limite aos muros do Paço Municipal, mas que chegue até a sua porta, não importa a distância.

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