Por Marcius Pirôpo – O Peso Pesado da Notícia
Uma conta que não fecha e que revolta o cidadão de Muniz Ferreira. Enquanto a população sofre com os piores índices de segurança alimentar da Bahia, conforme aponta a pesquisa do TRIA de 2025, a administração municipal acaba de carimbar uma previsão de gasto astronômico: R$ 3.181.320,00 (três milhões, cento e oitenta e um mil, trezentos e vinte reais) para a compra de combustíveis.
O documento de homologação do Pregão Eletrônico Nº 041/2025, vencido pelo Mega Posto Litoral Ltda, prevê a aquisição de impressionantes 578 mil litros de combustíveis e Arla. Se dividirmos esse volume pelos 365 dias do ano, a prefeitura planeja consumir cerca de 1.583 litros por dia.
Para uma cidade de pequeno porte, com pouco mais de 7.400 habitantes, o gasto é, no mínimo, inexplicável. Cruzando os dados, chegamos a uma conclusão estarrecedora:
- Fome vs. Gasolina: Muniz Ferreira é apontada como a cidade em maior situação de vulnerabilidade alimentar no estado como apontado pela pesquisa do TRIA em 2025.
- Custo por Habitante: O município vai gastar cerca de R$ 426,00 por habitante apenas com combustível, valor que poderia ser revertido em cestas básicas ou programas de auxílio direto.
- Logística Duvidosa: Qual é a frota capaz de consumir quase 1.600 litros todos os dias em um território de apenas 110 km²?
O jornalismo existe para dar voz à indignação popular. O Artigo 220 da Constituição Federal garante que a informação e a manifestação do pensamento são livres de restrições. Mais do que um direito, é um dever deste veículo expor como o dinheiro público está sendo priorizado.
Amparados pela ADPF 130, que assegura a plena liberdade de imprensa e o papel fiscalizador do jornalista, "prensamos" a prefeitura: Onde está a transparência? Como justificar milhões em combustível quando o relatório do TRIA mostra que o povo de Muniz Ferreira é o que mais passa privação alimentar na Bahia?
O povo não come óleo diesel. O povo não se alimenta de gasolina Shell. O povo precisa de políticas públicas que combatam a miséria, e não de editais que parecem queimar o suor do contribuinte em escapamentos de carros oficiais.
A Prefeitura de Muniz Ferreira deve uma resposta imediata: quem está rodando tanto enquanto o povo passa fome?
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