Por: Marcius Pirôpo
O Irã sangra em silêncio, mas o grito de seu povo ecoa pelas frestas de uma cortina de ferro digital. O que o mundo testemunha hoje em território iraniano é o ápice de uma panela de pressão que ignora as fronteiras da diplomacia e invade o campo da sobrevivência humana. Enquanto o regime tenta manter as aparências, as ruas de Teerã e de outras províncias contam uma história de resistência escrita com coragem e dor.
Para o governo iraniano, a verdade é a maior ameaça. Por isso, a primeira medida de repressão foi o corte sistêmico da internet e o bloqueio total das redes sociais. Sem conexão, o regime acredita que pode agir nas sombras. No entanto, os relatos que escapam do blecaute são aterradores: mais de 500 manifestantes assassinados pelas forças de segurança, entre jovens, mulheres e crianças. A população, cansada da asfixia econômica e da falta de liberdades civis, enfrenta agora um Estado que prefere eliminar seus cidadãos a ouvi-los.
A tensão não é apenas interna. O Irã vive hoje um cerco diplomático e militar sem precedentes. As acusações mútuas com Israel elevaram o alerta de conflito regional para o nível máximo, enquanto a presença estratégica dos Estados Unidos na região serve como um lembrete constante de que qualquer erro de cálculo pode resultar em uma guerra de proporções globais. O regime iraniano tenta desviar o foco da revolta popular culpando "agentes externos", mas o povo já não aceita essa narrativa de distração.
Neste cenário de caos, é impossível não valorizar os mecanismos que garantem que a verdade não seja sufocada pelo poder. A censura imposta no Irã é o maior exemplo do que o autoritarismo faz quando se sente acuado.
No Brasil, a nossa segurança democrática repousa sobre o Artigo 220 da Constituição Federal, que assegura a livre manifestação do pensamento e a vedação de qualquer censura. Esse direito fundamental foi reafirmado pela ADPF 130, que consolidou a liberdade de imprensa como pilar indispensável do Estado Democrático de Direito. Enquanto aqui lutamos para preservar esses direitos, no Irã, cidadãos morrem pelo simples desejo de exercê-los.
O mundo não pode fechar os olhos para o massacre em curso. O povo iraniano clama por liberdade, pelo fim da opressão e pelo direito de se conectar com o futuro. Que a coragem desses manifestantes não seja em vão e que a luz da informação prevaleça sobre a escuridão do blecaute.

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