Por: Redação Pirôpo News
A Bíblia é o pilar da civilização ocidental, mas por trás das mensagens de fé, esconde-se uma face brutal que muitos líderes religiosos preferem omitir: passagens que não apenas descrevem, mas ordenam a violência, o estupro e a desumanização feminina. Quando esses textos são interpretados de forma literal e usados como base para leis, o resultado é o massacre de direitos e de vidas.
A Mulher como Espólio de Guerra e Objeto de Castigo
Um dos pontos mais sombrios das escrituras está no tratamento das mulheres como "troféus". Em Números 31:17-18, o texto relata uma ordem para aniquilar um povo, mas com uma ressalva cruel: “Mas todas as meninas que não conheceram homem, deitando-se com ele, deixai-as viver para vós”. Aqui, o estupro é institucionalizado sob o aval divino.
A desumanização atinge o ápice quando a mulher é usada como ferramenta de punição entre homens. Em 2 Samuel 12:11-12, para punir o rei Davi por seus pecados, a sentença proferida é o estupro de suas próprias esposas:
“Tomarei tuas mulheres perante os teus olhos, e as darei a teu próximo, o qual se deitará com tuas mulheres à luz deste sol.”
Neste contexto, a mulher não possui alma ou vontade; ela é um objeto de troca e um campo de batalha para o ego masculino.
O Mapa do Horror: Onde a Bíblia ainda é usada para Massacrar
Enquanto o mundo moderno clama por igualdade, em diversos países a interpretação literal e fundamentalista desses textos dita o destino de milhões de mulheres:
El Salvador e Nicarágua: Sob forte pressão de grupos ultraconservadores, mulheres são tratadas como incubadoras do Estado. Casos de aborto espontâneo são julgados sob a ótica bíblica do "homicídio", resultando em penas de até 50 anos de prisão. É a morte em vida para quem não cumpre o papel biológico imposto pela religião.
Uganda: Financiada por fundamentalistas, a legislação local usa a "moralidade bíblica" para validar a perseguição e normalizar a violência doméstica. A submissão absoluta da mulher é pregada como lei, impedindo denúncias de estupro marital e agressão.
Papua Nova Guiné: A caça às bruxas é uma realidade sangrenta. Mulheres independentes ou viúvas são acusadas de feitiçaria com base em textos como Êxodo 22:18 ("À feiticeira não permitirás viver"). O resultado? Mulheres são torturadas e queimadas vivas em praça pública sob aplausos de fanáticos.
República Democrática do Congo: Milícias que se autodenominam cristãs utilizam o estupro sistemático como arma, ecoando as passagens de "espólio de guerra". As sobreviventes ainda sofrem o "massacre social", sendo expulsas de suas igrejas por serem consideradas "impuras" segundo leis arcaicas.
O Alerta para o Brasil
O Brasil vive hoje uma tensão perigosa. Embora sejamos um Estado Laico, a ascensão de discursos que utilizam a Bíblia para justificar a hierarquia masculina no lar é o primeiro passo para a violência física. O feminicídio em solo brasileiro é frequentemente precedido pelo abuso espiritual: o uso de versículos para convencer a mulher de que ela deve suportar agressões em nome da "santidade do matrimônio".
O PIRÔPO NEWS levanta o questionamento: até quando textos escritos em contextos de guerra milenar serão usados para justificar o sangue feminino derramado hoje? A fé deve ser instrumento de libertação, não um salvo-conduto para o massacre e a escravidão do corpo feminino.

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