
O planeta Terra visto do espaço: o tempo em constante ciclo.. Fonte: Heritage Images / Heritage Images via Getty Images
Estou aqui no meu espaço de trabalho, e o meu olhar inevitavelmente desvia para o quadro que fica logo ao lado do computador. Nele, uma fotografia retrata meus filhos quando ainda eram pequenos. Rostos curiosos, passos incertos, dependência total. Mas basta erguer os olhos da moldura para encontrar a realidade do presente: hoje, eles já são maiores do que os pais.
A minha filha mais velha, Sandy, com seus 27 anos, já construiu o seu próprio espaço e mora sozinha. O meu filho Júnior, de 26 anos, vive com a mãe, Gigi, e comigo, mas já trilhou o seu caminho rumo à independência — com orgulho, já assume as contas de casa, pondo em prática o senso de responsabilidade que construímos ao longo dos anos. Ambos estão formados, trabalhando, construindo as próprias histórias.
Ao contemplar esse contraste entre a foto da mesa e o dia a dia, um pensamento me assaltou: o planeta Terra é feito de ciclos rigorosos, e nós, que nele habitamos, seguimos exatamente a mesma lei.
Existe a fase da infância, o turbilhão da adolescência, o peso e os desafios da vida adulta e, para aqueles que têm a dádiva da sobrevivência, a chegada à maturidade e à aposentadoria. Todos conhecemos a morte física, aquele ponto final que encerra a jornada biológica. No entanto, raramente falamos sobre as mortes em vida — aquelas que experimentamos à medida que cruzamos cada etapa da existência.
A morte em vida não é tristeza desoladora; é a despedida inevitável de quem fomos para que possamos dar lugar a quem precisamos ser.
Morre o bebê para nascer a criança que corre pela casa.
Morre a criança para dar espaço ao adolescente questionador.
Morre o filho dependente para que surja o adulto formado, profissional e autônomo.
E morre, gradativamente, aquele papel diário de pai que segura na mão para atravessar a rua, dando lugar ao pai que assiste, apoia e se orgulha à distância.
Ao olhar a Terra vista do espaço, percebemos como as estações mudam sem pedir licença. O inverno precisa morrer para que a primavera floresça. Da mesma forma, ver os filhos maiores do que nós, pagando as próprias contas e traçando os próprios destinos, é a prova de que cumprimos a nossa missão principal.
É um processo complexo, agridoce e profundamente humano. Cada fase que morre deixa saudades, mas cada nova etapa que nasce nos confirma que a vida não parou — ela apenas seguiu o seu curso perfeito.