Salvador, BA — A Justiça da Bahia condenou o Governo do Estado a pagar uma indenização de R$ 100 mil por danos morais ao investigador da Polícia Civil Adson Gomes Miranda. O agente foi brutalmente agredido por policiais militares do Batalhão de Choque durante o Carnaval de Salvador, no circuito Barra-Ondina.
O caso aconteceu em 2023, quando o investigador estava de folga e curtia a festa. Imagens de vídeos gravados por testemunhas e inquéritos da Corregedoria comprovaram que Adson foi atingido pelas costas com golpes de cassetete, socos e pontapés, mesmo após cair no chão — as agressões só pararam com a intervenção de uma ambulante que protegeu a vítima.
Sequelas e Denúncia de Racismo
Em decorrência da violência, o policial civil perdeu quatro dentes, sofreu fratura na face, lesão no olho esquerdo e precisou passar por acompanhamento psiquiátrico e cirurgias na mão (uma acompanhante que tentou intervir também ficou ferida).
Na época da ocorrência, Adson Gomes relatou momentos de pânico e apontou motivação racial na abordagem truculenta. "É por que eu sou rastafári? É por que eu sou negro? Eu não tenho direito de ir para festas, de curtir naquele local?", questionou em entrevista à época.
Decisão Judicial
A sentença acolheu integralmente o pedido de indenização por danos morais solicitado pela defesa, representada pelo Sindicato dos Policiais Civis da Bahia (Sindpoc). A Procuradoria Geral do Estado da Bahia (PGE-BA) informou que analisa a decisão para avaliar as medidas jurídicas cabíveis.
Fonte: G1 Bahia / Sindpoc
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