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| foto: Folhapress |
Relatório citado pela CNN relaciona candidato a investigação sobre contratos públicos em Belo Horizonte; ACM Neto nega envolvimento e afirma que não há relação dele com os fatos apurados.
Um relatório da Polícia Federal apontou o candidato do União Brasil ao governo da Bahia, ACM Neto, como suposta liderança de uma organização criminosa investigada por obtenção de recursos públicos por meio de contratos superfaturados. O documento faz parte das investigações da Operação Overclean, que apura fraudes em contratos públicos e direcionamento de licitações em Belo Horizonte (MG).
Segundo a CNN Brasil, o relatório foi produzido em novembro de 2025 e teve acesso a informações extraídas do celular do empresário José Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”. Entre agosto e dezembro de 2024, os registros indicariam 232 contatos entre Moura e ACM Neto, segundo a investigação.
O documento afirma:
“Ao analisarmos todo o conjunto probatório reunido nas oito fases da Operação Overclean, conclui-se que ACM Neto exerce a função de liderança da organização criminosa constituída para obtenção de recursos públicos a partir de contratos públicos superfaturados”
Investigação envolve contratos em Belo Horizonte
A PF investiga um suposto esquema envolvendo contratações realizadas pela Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte entre 2024 e 2025.
De acordo com a investigação, integrantes do grupo teriam ocupado posições estratégicas na administração municipal para viabilizar contratos direcionados a empresas ligadas aos investigados.
“Com o fim do mandato de ACM Neto na prefeitura de Salvador, e a partir de 2024, a organização criminosa ampliou sua área de atuação para a capital mineira mediante a ocupação dos seus integrantes em pontos chave da administração municipal”, ressaltou o relatório.
A investigação cita três contratos que somam mais de R$ 80 milhões. Segundo a PF, outros contratos também são analisados.
O ex-secretário de Educação de Belo Horizonte Bruno Barral, que também ocupou o cargo em Salvador, foi alvo da 10ª fase da Operação Overclean, deflagrada em setembro. O empresário Alex Parente e Marcos Moura também foram alvos da operação.
PGR concordou com medidas solicitadas pela PF
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentou parecer favorável às medidas solicitadas pela Polícia Federal no caso.
A PF havia pedido autorização para realizar busca e apreensão contra ACM Neto, além do bloqueio de bens e valores de até R$ 77,8 milhões, valor relacionado aos pagamentos dos contratos investigados.
No entanto, o ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou o pedido de busca contra ACM Neto. Segundo a CNN, o magistrado considerou que não havia elementos suficientes apresentados pela PF para justificar a medida contra o político.
Apesar disso, Nunes Marques autorizou buscas contra outros investigados. Na 10ª fase da operação, foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão em seis estados, incluindo Bahia e Minas Gerais.
ACM Neto nega envolvimento
Em nota, a assessoria de ACM Neto afirmou que existe uma tentativa de associar o nome do candidato a fatos com os quais, segundo sua defesa, ele não teria envolvimento.
“Fica cada vez mais clara a tentativa de interferir no processo eleitoral com a criação e divulgação de factoides e insinuações mentirosas e falsas, através de vazamentos seletivos, que buscam associar indevidamente meu nome a situações que nunca tive envolvimento.
Na semana passada, convoquei uma coletiva de imprensa para denunciar esse tipo de ataque à nossa candidatura. Agora, faltando apenas duas semanas para a eleição, isso se mostra ainda mais evidente. Trata-se de uma nova tentativa de influenciar na Eleição da Bahia.
A Operação Overclean começou em dezembro de 2024 e, nesses quase dois anos, nunca houve o apontamento de qualquer tipo de conduta que me relacionasse à prática de ato ilícito. E não houve justamente porque não tenho nenhuma relação com qualquer dos fatos que estão sendo investigados. A completa e total inconsistência dessas insinuações foi confirmada pela decisão do STF, que indeferiu o pedido formulado na representação, conforme divulgado pela imprensa. Temos a chance de, em 17 dias, vencer um grupo político que controla o governo do estado há 20 anos e que já demonstrou que é capaz de fazer qualquer coisa para se manter no poder, tentando inclusive usar as estruturas de Estado para interferir no resultado da eleição. Nada disso vai me abalar e nem me desviar do meu propósito de servir ao povo da Bahia.
Seguirei rodando o Estado, divulgando minhas propostas de governo e dialogando com a população, até o dia 4 de outubro, quando o povo terá oportunidade de dar uma resposta nas urnas.”
Até o momento, o apontamento da PF permanece no âmbito de uma investigação. A decisão de Nunes Marques de não autorizar a busca contra ACM Neto não equivale a uma declaração de inocência, mas significa que o ministro considerou insuficientes os elementos apresentados para aquela medida específica.
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