O baiano Victor Colonese sagrou-se campeão brasileiro de maratonas aquáticas no último final de semana em Inema. O atleta conquistou os títulos nas provas de 5km e 10km. Aos 26 anos, o maratonista almeja se classificar para a próxima Olimpíada. No entanto, ainda terá um longo caminho para percorrer, ou nadar. A trajetória começa no dia 16 de dezembro, que irá classificar quatro atletas brasileiros do masculino para uma etapa da Copa do Mundo de 2019. Os dois melhores na etapa da Copa do Mundo disputarão o Mundial de esportes aquáticos, na Coreia do Sul, e os Jogos Pan-Americanos, no Peru.
“Será a primeira seletiva olímpica. No Mundial que terá agora em 2019, os dez primeiros se classificarão para a Olimpíada. Será com certeza a competição mais importante do ano. É o início da nossa caminhada. Mudamos algumas coisas no planejamento, mas eu venho treinando forte para classificar em primeiro ou no segundo lugar dessa seletiva”, destacou Colonese.

Baiano busca participação na Olimpíada de Tóquio em 2020 | Foto: Divulgação
Colonese, que começou a praticar o esporte por conta dos pais, afirmou que até os 12 anos não tinha um bom desempenho na natação. No entanto, foi quando migrou para as maratonas que começou a evoluir.
“Foi um esporte que gostei muito. Na época eu fazia tênis, judô e natação. Confesso que eu não era tão bom em natação, pelo menos até os 11 anos. Aos 12 comecei a evoluir e passei a ter mais gosto às provas de longa distância. Em 2008 foi minha primeira maratona a nível nacional e percebi que era o que eu queria”, relembrou.
Foi quando ele decidiu deixar Salvador para treinar no UNISANTA, clube de Santos, em São Paulo.
“Morei em Salvador até 2008. Mudei para Santos em 2009, quando completei 17 anos. O primeiro ano foi complicado, por morar sozinho em uma cidade nova. Acabei não fazendo um ano tão bom no UNISANTA por conta disso. Em 2010 comecei a me encaixar, pude evoluir. Em 2011 cheguei a minha primeira seleção absoluta que foi o Mundial de Shangai. Devo muito a minha mudança de ares. Vim para uma estrutura melhor e acabei evoluindo no meu desempenho”, explicou.

Atleta defende o UNISANTA, de Santos | Foto: Divulgação
“Na Bahia você tem um grande projeto que é o Programa Faz Atleta do governo, mas os clubes não têm uma qualidade boa como tenho aqui. Com toda uma equipe me dando suporte. Saí de uma piscina de treino de 25m para uma de 50m. No UNISANTA é tudo muito próximo. A faculdade, minha casa, o lugar que eu treino... Em Salvador eu perdia muito tempo no trajeto. Além de tudo, eu saí recebendo uma pequena ajuda de custo do UNISANTA”, complementou.
Dono de medalhas em Sul-Americanos, três participações em Mundiais e um 5º lugar na etapa da Copa do Mundo no Canadá, Colonese tem como inspiração a maratonista e também baiana Ana Marcela.
“Não dá para não falar de Allan do Carmo. É o maior atleta do masculino. É o grande diferencial da maratona masculina. Porém, como inspiração eu prefiro falar da Ana Marcela. Ela tem a mesma idade que eu, conheço um pouco da história dela. Estivemos juntos há alguns anos. O Allan é um grande atleta, é o melhor do Brasil na modalidade. Mas a Marcela é sensacional”, salientou.
Campeão nos 5km e 10km, o maratonista não tem preferência por uma das categorias. Segundo ele, cada uma tem sua importância.
“O momento mais especial da minha carreira foi chegar em 9º nos 5km no Mundial em 2015. É complicado escolher. Nadei os 5Km sempre bem, mas agora estou evoluindo nos 10km. Quero continuar nesse ritmo, conquistando nas duas categorias. O atleta nunca almeja pouco”, analisou.

Colonese conquistou o título brasileiro na categoria 5km | Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA
Apesar de ser o atual campeão brasileiro e de ter outros grandes resultados na carreira, o atleta lamenta a falta de apoio ao esporte.
“A maratona está indo para o seu quarto ciclo olímpico. É mais difícil arrumar patrocínio, até para os atletas de maior destaque. É um esporte um pouco custoso, porque você precisa estar com seu técnico nas etapas. O Brasil está passando por uma crise, o que dificulta encontrar patrocinadores para todos os esportes. Infelizmente não tenho patrocínio, então dependo muito do meu pai e da Universidade Santa Cecília, que sempre me apoiam”, explicou.
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