quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Carlos Bolsonaro e um assessor de Marielle discutiram em corredor da Câmara


[Carlos Bolsonaro e um assessor de Marielle discutiram em corredor da Câmara]
  

O Bate-boca aconteceu na tarde de 3 de maio de 2017

O vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) e um assessor da vereadora assassinada Marielle Franco (PSOL-RJ) teriam discutido, no corredor do nono andar da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Os agentes da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro (DH) tentam recuperar as imagens deste bate-boca, que ocorreu na tarde de 3 de maio de 2017.
Segundo o Uol, o assessor envolvido na discussão prestou depoimento pela segunda vez no começo do mês. Ele já havia dado a sua versão após o assassinato da vereadora e do motorista Anderson Gomes, mortos a tiros na noite de 14 de março de 2018. Pelo menos outras cinco pessoas que trabalhavam no gabinete de Marielle também foram intimadas. Procurada, a Polícia Civil informou que não comenta o Caso Marielle, que corre sob sigilo. Entrevistado pelo UOL sob a condição de não ter seu nome divulgado, o assessor relembrou o caso. Ele contou que estava apresentando a Câmara a dois amigos, uma jovem do México e um rapaz de São Paulo. Ao passar em frente ao gabinete do filho do presidente Jair Bolsonaro, comentou que o vereador fazia parte de uma família conservadora da política brasileira que beirava o fascismo.
Ele não teria percebido que Carlos estava no corredor, de costas, falando pelo celular. Segundo o assessor, Carlos ouviu e conversa e veio na sua direção, exaltado, para tirar satisfações. "Ele perguntou: 'O que você falou?'. Eu disse que apenas estava apresentando o contexto político local para duas pessoas que não eram do Rio. Aí, ele gritou: 'Mas você me chamou de fascista'. Eu pedi desculpas e disse que só estava apresentando a minha visão. Disse que não foi com a intenção de provocar", contou
Parte dessas testemunhas hoje trabalha no gabinete da deputada estadual Mônica Francisco (PSOL-RJ), que era assessora de Marielle na época. "Naquele dia, eu não estava no gabinete. Quando cheguei, os assessores falaram que teve a confusão", relembrou. Em seguida, comentou sobre o que entende ser mais um episódio de ódio envolvendo a família do presidente. "Quando foi eleito, o Bolsonaro falou que ia varrer o PSOL e o PT. Ele fala em 'ameaça vermelha'. Pode ser uma grande coincidência. Mas essa relação mais próxima dos investigados pelo assassinato com a família Bolsonaro gera um incômodo". 
O Uol informa que foi ao gabinete de Carlos Bolsonaro para que ele se contasse a sua versão sobre o bate-boca. Mas não passou da porta. "Ele não fala com a imprensa. Ele leva muita porrada", disse um assessor. "Pode tentar falar com ele no corredor. Mas chega devagar", orientou. Em seguida, abriu a porta do gabinete e continuou: "Tem dois seguranças aqui", disse, apontando para dois homens de terno sentados na entrada.



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