quinta-feira, 13 de agosto de 2020

'A música nos leva a aquilo que a gente acredita', diz Josyara sobre feat com Pitty


'A música nos leva a aquilo que a gente acredita', diz Josyara sobre feat com Pitty
Foto: Divulgação
Em um encontro que ultrapassa os limites do tempo e de diferentes gerações da música baiana, Pitty e Josyara lançam, nesta sexta-feira (14), uma nova versão de “Anacrônico”, faixa-título do segundo disco da roqueira, de 2005. Como define a jovem artista de Juazeiro: “A surpresa da coisa toda é como a música nos leva a aquilo que a gente acredita. Porque eu acho que independente do tempo, os encontros e reencontros vão pincelando e dando essa beleza que é a própria arte”.

O primeiro contato físico da dupla aconteceu durante o WME Awards 2019. “Por coincidência, a cadeira dela estava do meu lado. E ela falou comigo: ‘poxa, queria dizer que eu gosto muito do seu trabalho’. Eu fiquei muito surpresa, não sabia que ela conhecia o ‘Mansa Fúria’, que tinha chegado pra ela minha música. E aí eu fiquei muito feliz, a gente fez alí aquele primeiro contato, aquele primeiro ‘oi’”, lembra Josyara. Um ano depois, ela publicou a versão da música em suas redes sociais de forma despretensiosa e novamente chamou a atenção da conterrânea, que gostou do que viu e fez o convite para a parceria. “Ela falou coisas muito bonitas, que gostou, ficou muito empolgada, e sugeriu, diante da comemoração, que a gente aproveitasse esse arranjo, essa versão, pra poder botar no mundo junto”, conta a cantora. 


O contexto que precede o feat foi também fruto do acaso, mas fez todo sentido. “Eu estava ‘reescutando’ o disco e quando começou ‘Anacrônico’ eu falei ‘nossa, tudo a ver o que acontece hoje!’”, lembra Josyara. “Eu vi aquilo que tava acontecendo de 15 anos atrás que eu percebia e voltei a sentir e ter essa nitidez. Eu era uma menina de 14 anos e agora quase 30, já estou vendo o mundo de outra maneira, e a mesma música conduzindo esse sentimento de observação, de raiva, sei lá…”, conta a jovem artista, revelando que a gravação foi uma coisa “instintiva”, de escutar, sentir que era o momento e jogar nas redes.

Voltando ao passado para entender o presente, o simbolismo por trás do reencontro não poderia ser maior, afinal, a roqueira teve um papel importante na formação da jovem artista, inclusive no campo da representatividade enquanto mulher compositora. “Pitty sempre foi referência pra mim. No primeiro show que eu realizei, no Rock in Rio São Francisco, que é um evento em Bom Jesus da Lapa, no interior da Bahia, o repertório foi praticamente o disco ‘Anacrônico’, o ‘Admirável Chip Novo’ e as coisas que Pitty me mostrava alí nas entrevistas”, conta a artista. “Então, ela influenciou no meu repertório, no meu gosto pela música, meu gosto por rock, e, sem dúvida, para a composição. Ela foi muito importante para os meus pensamentos tomarem essa força e falar que eu posso sim compor, posso ser uma compositora e instrumentista”, destaca.

Como o convite para a parceria veio no meio da pandemia, as duas trabalharam à distância. “Foi uma gravação extremamente caseira, remota, eu na minha casa e ela no estúdio dela ou na casa, eu não sei onde foi que ela registrou. Um amigo meu que estava comigo aqui fazendo uma live gravou. Eu falei ‘amigo, preciso gravar um take pra mandar pra Pitty, no metrônomo, tudo certinho, você grava pra mim?’. Ele falou ‘gravo’ e aí foi um take só, eu tocando e cantando. Aí eu mandei pra ela, foi assim, de uma forma simples, de home estúdio mesmo”, lembra Josyara, que encara essa parceria como “uma porta aberta para novos encontros” e diz sentir uma “atmosfera da novidade
BN

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