sábado, 16 de janeiro de 2021

Medo da contaminação, sedentarismo e ansiedade elevaram mortes cardíacas no Brasil


Medo da contaminação, sedentarismo e ansiedade elevaram mortes cardíacas no Brasil

Alguns fatores diretamente ligados à pandemia da Covid-19 podem explicar, ou pelo menos ajudar a entender, o motivo que levou ao crescimento no número de mortes causadas por doenças cardíacas em 2020 em comparação com 2019 em todo o Brasil. Na Bahia o aumento foi de 10% .

 

O dado consta no Portal da Transparência do Registro Civil e considera mortes causadas por AVC, infarto ou causas cardíacas inespecíficas.  A plataforma mostra que esse tipo de óbito passou de 15.195 para 16.760 no período. Os números também revelam que o maior crescimento foi o de mortes por “Causas Cardiovasculares Inespecíficas”, que chegou a 27%. Já por infarto passaram de 4.269 ocorrências no ano de 2019, para 4.568 em 2020, que representa um crescimento de 7%. Os registros de Acidente Vascular Cerebral (AVC) como causa apresentaram o menor crescimento na comparação entre os dois anos, que foi de 1%

 

O cardiologista da rede Hapvida Railton Cordeiro acredita que os números são reflexo de uma série de razões. A primeira delas foi o desconhecimento acerca do vírus e a dimensão da pandemia. O médico entende que o medo da contaminação afastou as pessoas dos hospitais. “O paciente dizia: 'Doutor, não vim fazer a minha consulta de rotina cardiovascular porque tinha medo”, lembrou ele. 

 

Cordeiro contou ainda que em alguns casos mais graves os pacientes chegaram a apresentar sintomas e sentir dor, e ainda assim preferiam não ir a uma unidade de saúde. “As pessoas sentiam aquela dor na região torácica e diziam: 'Doutor, não fui para a emergência porque tinha medo de ser contaminado. Vou ou não vou? E se eu chegar lá e não for nada grave e eu acabar contaminado?'”, acrescentou o médico.

 

A mudança na rotina e estilo de vida para um menos saudável é apontada pelo especialista como a segunda razão que explica o aumento nas mortes por problemas cardíacos. “A recomendação era ficar em casa, então ele deixou de caminhar, de praticar exercício físico, além disso as academias estavam fechadas. O estilo de vida ficou resumido àquele espaço e nem todo mundo conseguiu adaptar as atividades”, constatou. 

 

Outro fator importante foi o estresse e a ansiedade a que as pessoas vêm sendo submetidas na pandemia da Covid-19. As notícias de alto número de mortos, infectados, sistemas de saúde em colapso, cemitérios pressionados e adoção de medidas restritivas afetaram a saúde mental das pessoas. Isso é um fato ainda mais preocupante em pacientes cardiopatas, explicou o cardiologista.



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