segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Padre de Guaçuí preso por assalto em Divino de São Lourenço luta para provar inocência



 Membro da Igreja Católica Apostólica Carismática (ICC) FMD, o padre Geraldo Aguiar, popularmente conhecido como Frei Geraldo, viu sua vida ir do céu ao inferno por conta de, segundo ele, um engano. Ele é acusado de uma tentativa de latrocínio (roubo seguido de tentativa de homicídio). O crime aconteceu no dia 4 de junho de 2018, em Divino de São Lourenço, quando dois homens invadiram uma residência com o intuito de furtar. Ao serem flagrados pelo dono do imóvel, um idoso de 67 anos, um deles atirou. A bala atingiu o dedo e a barriga da vítima, que sobreviveu.

Por meio de uma denúncia anônima, a Polícia Civil chegou, em janeiro de 2019, ao padre. Nessa época, ele morava em uma propriedade na zona rural de Guaçuí, foi detido e levado para dar depoimento. “Mas na data do crime, junho de 2018, eu estava no Rio de Janeiro. Fiquei por lá de maio a outubro de 2018, só então voltei para Guaçuí. Quando cheguei na delegacia, eles me perguntaram se eu sabia o motivo de estar sendo preso. Eu disse que não”, disse Frei Geraldo.

No próximo capítulo da história, Geraldo Aguiar foi detido e levado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Cachoeiro de Itapemirim. “A polícia pegou uma foto preto e branco minha, levou para a vítima hospitalizada que disse que eu era o assaltante. Não tinha outras fotos para que a vítima pudesse comparar. Daí fui preso preventivamente. O que posso dizer é que a vítima se confundiu com alguém parecido comigo”.



“Eu fiquei um ano e um mês preso. No começo consegui um advogado. Ele entrou em contato com minha esposa, pegou R$ 500 de entrada e nada fez. Largamos de lado e tentamos um advogado público. Entre tirar o alimento dos meus filhos pequenos e pagar um advogado, preferi ter um advogado público. Depois de sete meses o defensor pegou a causa, mostrei tudo para ele, dei os caminhos, ele correu atrás, e fiz procuração para minha esposa na época. Nesse período, fiquei preso em Cachoeiro. Disseram que era uma prisão preventiva para não atrapalhar a investigação da polícia”, conta.

Contestação

Um outro ponto contestado por Geraldo Aguiar é que, no local do crime, foi deixado um celular de um dos criminosos. Em audiência, que pedia a prisão preventiva de um segundo suspeito, o advogado do padre pediu que o aparelho fosse periciado.

“MM. Juíza, diante do interrogatório da vítima, onde ficou aclarada sua incerteza diante da visão pessoal do acusado, bem como por lhe ter sido apresentada foto de uma única pessoa e em preto e branco, decorrente de denúncia anônima, ausente de quaisquer outros elementos para caracterizar a autoria, logo em desacordo ao art. 226 do CP, requer a absolvição sumária e ou o relaxamento da prisão, dada a insuficiência de lastro probatório presentes no inquérito policial. Requer, ainda, perícia papiloscópica do celular deixado no local do crime pelos autores do roubo. Requer, ainda, a oitiva do policial responsável pelo auto de reconhecimento de fl. 13. A Defesa informa que o acusado utilizava o telefone número (21) XXXXX-XXXX do período em que ocorreu o fato, de modo a comprovar que o mesmo estava no Rio de Janeiro no referido período”, alegou a defesa de Frei Geraldo.

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