sábado, 13 de março de 2021

'Não é só uma gripezinha': Atletas de alto-rendimento relatam incômodos após Covid-19


'Não é só uma gripezinha': Atletas de alto-rendimento relatam incômodos após Covid-19

Não é só uma gripezinha como alguns pensam. Além do risco letal como o mundo e o Brasil acompanham diariamente com os recordes de mortes causadas pela Covid-19, a doença deixa sequelas por um bom tempo, inclusive em atleta de alto-rendimento. O nadador Allan do Carmo, campeão mundial de maratona aquática em 2014, e o lutador Carlos Boi, que ingressou no UFC em 2020 na categoria peso-pesado, já contraíram o vírus que causou uma pandemia global no ano passado e mudou a normalidade da vida de todos os seres humanos.

 

Os dois esportistas baianos foram assintomáticos. Allan só descobriu que estava com a Covid-19 durante uma checagem diária que os atletas passaram a ser submetidos em dezembro do ano passado. "No período, estava fazendo os testes e descobri. Fiquei de quarentena pelo novo protocolo que são 10 dias", disse em entrevista ao Bahia Notícias.

Allan do Carmo | Foto: Divulgação / Assessoria

 

Já Carlos Boi recebeu o diagnóstico positivo em julho quando se preparava para estrear no UFC. "Na primeira luta, eu peguei Covid na preparação em julho", contou ao BN. "Tive que montar uma mini-academia na varanda de casa. Eu treinei praticamente sozinho nas duas últimas semanas, porque eu estava isolado em casa", completou ele que acabou sendo derrotado pelo moldavo Sergey Spivac por decisão dos juízes.

 

Mas apesar de serem assintomáticos durante a recuperação, os dois baianos não escaparam ilesos da Covid-19. A dupla se queixou de desconfortos ao retomar os treinamentos. "Senti uma dificuldade muito grande quando voltei a treinar, cansaço, fadiga. Fui retomando aos poucos, mas hoje em dia estou treinando normal", falou Allan.

 

Cerca de oito meses depois, Carlos Boi ainda sentem incômodos durante seus preparativos para as lutas. "Até hoje ainda sinto um pouco. Me sinto um pouco mais ofegante do que o normal. Às vezes com um pouco de dificuldade para respirar quando estou muito cansado", comentou. "Mas não é nada que me atrapalhe não", pontuou.

Carlos Boi | Foto: Reprodução / Instagram UFC

 

A reportagem do Bahia Notícias entrou em contato com a fisioterapeuta Mayara Duarte, que atua em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) hospitalar Covid-19. Ela também trabalha na reabilitação de pessoas que tiveram a doença com comprometimentos leves, moderados e graves. Pós-graduada em Fisiologia do Exercício e Reabilitação Cardiopulmonar, ela explicou como essas sequelas são causadas.

 

"O vírus causa um processo inflamatório no pulmão e já tem estudos [que apontam] que causam até em outros órgãos e sistemas. Esse processo inflamatório, essa liberação de células inflamatórias, no final da doença, começa a causar essas sequelas, que a depender do órgão, como o pulmão, podem gerar uma fibrose pulmonar. Isso depende muito do grau de comprometimento do pulmão. Tem pessoas que têm sintomas leves e tiveram comprometimento leves e tem pessoas com comprometimento num grau maior. Isso que vai determinar se o indivíduo vai ter uma sequela maior ou menor. No caso dos atletas, o que se referiu que teve uma sensação de fadiga e fraqueza, isso pode estar relacionado pela questão da inflamação. Essa inflamação acomete a musculatura tanto respiratória, que é o diafragma o principal músculo, como a musculatura periférica como os braços e as pernas. Isso gera uma fraqueza, uma atrofia, diminuição da resistência. A pessoa não consegue mais fazer aquela atividade, porque ela começa a fadigar muito mais precoce do que antes do vírus. Esse fator da musculatura com a perda da musculatura respiratória vai desencadear essa sensação mesmo ele sendo atleta de alta performance. O vírus altera tanto a musculatura respiratória, a musculatura periférica, quanto a parte neural, a relação nervo com músculo e por conta disso, eles sentem esse descondicionamento. Tem sim esse impacto, porque a musculatura se sobrecarregou muito mais agora no exercício que ele fez", explicou ao BN.

 

Allan do Carmo estreia neste sábado (13) na etapa de Doha, a primeira do Fina Marathon Swim World Series de 2021. A prova será na distância olímpica de 10 km e servirá para o baiano buscar ritmo visando a seletiva brasileira para o Pré-Olímpico, marcada para o dia 20 de março, em Piraí, no Rio de Janeiro. Já Carlos Boi, que venceu o neozelandês Justin Tafa em janeiro deste ano e emplacou sua segunda vitória consecutiva no UFC, volta ao octógono no dia 12 de junho para enfrentar o americano Jake Colier, na edição 263 do evento. fonte: BN

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