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| foto reprodução redes sociais |
Por Marcius Pirôpo
O cenário sociopolítico brasileiro atravessa uma metamorfose silenciosa, mas profunda. Pela primeira vez em séculos, o Brasil parece estar questionando a "ilusão colonial" do cristianismo institucional. O crescimento exponencial de ateus e, especialmente, dos desigrejados — aqueles que abandonam as instituições sem necessariamente perder a fé — sinaliza que a estrutura religiosa que normalizou a escravidão e moldou a sociedade pelo medo está perdendo sua hegemonia.
A Ciência como Árbitro da Realidade
Um dos exemplos mais flagrantes da fragilidade do discurso fundamentalista foi observado durante a pandemia. Enquanto o negacionismo era pregado em púlpitos, incentivando fiéis a ignorarem medidas sanitárias sob o pretexto de que "a oração resolve tudo", a realidade nos hospitais contava outra história.
Vimos um abismo social e ético: lideranças religiosas, como padres e pastores de renome, buscavam o que há de melhor na medicina moderna em hospitais particulares de elite, enquanto seus seguidores, muitas vezes influenciados pelo discurso anti-ciência, superlotavam o SUS. Esse episódio deixou claro que, na hora da dor, até o mais fervoroso líder recorre à ciência que antes questionava e tentava deslegitimar.
O Declínio da Influência Política: Malafaia e o Bolsonarismo
A política brasileira, que há anos é pautada pelo "voto de cajado", começa a sentir o impacto desse despertar crítico. O Bolsonarismo, que encontrou em figuras como Silas Malafaia seu suporte ideológico mais estridente, hoje enfrenta divisões internas. Malafaia, outrora braço direito de Michelle e Jair Bolsonaro, agora se vê confrontado não apenas por opositores, mas por religiosos que divergem de sua postura agressiva e interesseira.
A perda de força desse fundamentalismo é um alento para a democracia. O avanço do ateísmo e do pensamento racional retira o véu de "cegueira" que as narrativas extremistas precisam para prosperar. Sem o controle das massas — mantidas por décadas em um estado de analfabetismo funcional — o Brasil abre caminho para se tornar uma potência intelectual e econômica, espelhando-se no pragmatismo de nações como a China, que priorizam o desenvolvimento científico sobre dogmas teológicos.
O Estudo que Liberta
A Bíblia, ironicamente, tem sido o maior motor dessa mudança. Com o acesso à informação e canais de debate no YouTube, o brasileiro passou a ler o texto sem os filtros dos líderes. Ao encontrar passagens que descrevem um Deus por vezes vingativo e misógino, o contraste com a ideia de uma divindade onisciente e amorosa torna-se insustentável para a razão. Como muitos percebem: o estudo apurado da bíblia é o caminho mais rápido para o afastamento das amarras religiosas.
Liberdade de Expressão e Rigor Jurídico
Este artigo exerce o direito fundamental à crítica, amparado pelo Artigo 220 da Constituição Federal e pela ADPF 130, que garantem a plena liberdade de imprensa e de pensamento. Expor as contradições do fundamentalismo não é um ataque à fé alheia, mas uma defesa da liberdade individual contra a exclusão e a discriminação de minorias — práticas que hoje custam caro à nossa evolução social.
O Brasil está acordando de séculos de trevas. A luz, desta vez, não vem de velas, mas da consciência e do saber.

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