Os Estados Unidos e Israel lançaram neste sábado (28), uma agressão militar conjunta contra o Irã, a despeito das negociações diplomáticas em andamento entre Washington e Teerã. Israel iniciou os ataques, confirmados pelo Ministério da Defesa do país. O presidente estadunidense Donald Trump anunciou em seguida a participação direta das forças armadas dos EUA: “Há pouco tempo, as forças militares dos Estados Unidos iniciaram grandes operações de combate no Irã.” O Departamento de Guerra estadunidense denominou a agressão de “Operação Fúria Épica”.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã emitiu comunicado confirmando o início da resposta militar à agressão conjunta de EUA e Israel: “Em resposta à agressão do inimigo hostil e criminoso contra a República Islâmica do Irã, teve início a primeira onda de ataques generalizados com mísseis e drones por parte da República Islâmica do Irã contra os territórios ocupados”. O comunicado, divulgado pela Agência de Notícias Ahlul Bayt (ABNA), informa que atualizações adicionais serão publicadas nos canais oficiais.
A imprensa iraniana confirmou explosões nas cidades de Teerã, Qom, Lorestan, Kermanshah, Karaj e Tabriz na sequência do início da agressão militar conjunta de EUA e Israel. O espaço aéreo iraniano foi totalmente fechado, segundo o porta-voz da Organização de Aviação Civil do Irã.
Também foram registradas explosões no norte de Israel. O presidente da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ebrahim Azizi, declarou: “O fim desses ataques já não está em suas mãos”. A agência IRNA e outros portais de informação iranianos sofreram ataques cibernéticos simultâneos ao início da ofensiva, conforme informou a agência Tasnim.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã confirmou o início de uma resposta militar em larga escala à agressão conjunta de EUA e Israel, lançando mísseis balísticos contra bases militares estadunidenses em quatro países do Golfo Pérsico. A base aérea de Al Udeid no Qatar, a base de Al Salem no Kuwait, a base de Al Dhafra nos Emirados Árabes Unidos e a sede da Quinta Frota da Marinha estadunidense no Bahrein foram alvejadas pelos ataques com mísseis iranianos, segundo a agência Fars, citando a Guarda Revolucionária.
Fumaça foi vista subindo da área de Juffair, no Bahrein, onde fica a sede da Quinta Frota da Marinha dos EUA. O Bahrein confirmou que um ataque de mísseis atingiu a base naval. Anteriormente, o Ministério do Interior do Bahrein havia emitido alerta de emergência pedindo à população que se dirigisse ao local seguro mais próximo. Khabarhub O Qatar declarou ter interceptado todos os mísseis disparados contra seu território. Haaretz Explosões também foram reportadas em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, e em Kuwait.
A Guarda Revolucionária anunciou também o início de “ataques generalizados com mísseis e drones” contra territórios ocupados por Israel, em comunicado divulgado pela Agência Internacional de Notícias Ahlul Bayt (ABNA).
Iêmen anuncia retomada de ataques no Mar Vermelho
Os Houthis do Iêmen decidiram retomar os ataques com mísseis e drones contra rotas de navegação e contra Israel, em solidariedade ao Irã. Dois altos funcionários do movimento, que falaram sob condição de anonimato por não haver anúncio oficial da liderança, informaram que o primeiro ataque poderia ocorrer ainda neste sábado à noite. O grupo havia suspendido seus ataques no Mar Vermelho como parte de um acordo com o governo estadunidense, e interrompido os ataques contra Israel após o cessar-fogo de outubro de 2025 em Gaza.
Trump admite risco de baixas entre militares estadunidenses
Em pronunciamento em vídeo, Trump reconheceu que a operação conjunta de EUA e Israel poderá resultar em mortes entre as próprias tropas estadunidenses: “As vidas de corajosos heróis estadunidenses podem ser perdidas, e podemos ter baixas. Isso frequentemente acontece em guerra”.
O presidente estadunidense anunciou ainda objetivos de amplo escopo: destruir a indústria de mísseis iraniana, aniquilar a marinha do Irã e desarticular forças aliadas da República Islâmica na região. Trump afirmou que ataques anteriores realizados pelos EUA, identificados como “Operação Midnight Hammer (Martelo da Meia-Noite)” em junho passado, já teriam destruído instalações nucleares em Fordow, Natanz e Isfahan.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que os bombardeios conjuntos têm como objetivo eliminar uma “ameaça existencial” representada pelo Irã. Em declaração oficial, ele declarou que “chegou a hora de todas as parcelas do povo do Irã […] removerem o jugo da tirania […] e trazerem um Irã livre e amante da paz”. Segundo Netanyahu, a operação conduzida em parceria com os Estados Unidos criaria “as condições para que o bravo povo iraniano assuma seu destino em suas próprias mãos”.
Ministério do Interior iraniano ativa gestão de crises e pede calma à população
O Ministério do Interior do Irã condenou a agressão conjunta de EUA e Israel e ativou a Sede Nacional de Gestão de Crises. O comunicado, assinado pelo ministro Eskandar Momeni, classifica o ataque como violação de “todas as leis internacionais”, perpetrada “em pleno andamento das negociações“. O ministério orientou os governadores provinciais a mobilizarem recursos para atender às necessidades urgentes da população e pediu aos cidadãos que evitem deslocamentos desnecessários e acompanhem apenas fontes oficiais de informação, em particular a Corporação de Radiodifusão Iraniana.
A agressão militar conjunta de EUA e Israel contra o Irã ocorre durante negociações diplomáticas ativas sobre o programa nuclear iraniano, fato reconhecido pelo próprio governo iraniano e implicitamente confirmado por Trump, que afirmou ter buscado “repetidamente” um acordo antes de ordenar os ataques. A operação, realizada sem resolução do Conselho de Segurança da ONU, representa uma violação do direito internacional e uma escalada de consequências imprevisíveis para toda a região.
fonte: www.brasildefato.com.br/

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