Violência contra a mulher pauta debate na Câmara após o 8 de março
Na Tribuna Popular, ativista da Casa Marielle Franco cobra reabertura do Conselho Municipal da Mulher e reforço das ações de combate ao feminicídio
A violência contra a mulher, cujas estatísticas de feminicídio têm aumentado em todo o país, foi o principal tema de debate nesta segunda-feira (9) na Câmara Municipal de Salvador, um dia após as comemorações do Dia Internacional da Mulher.
Integrante da Coordenação da Casa Marielle Franco Brasil, Sandra Muñoz, do grupo de trabalho dinamizador da Rede de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres de Salvador, ocupou a Tribuna Popular da Câmara. Ela destacou a força feminina, “que tomou as ruas de Salvador neste 8 de março, mostrando o quanto as mulheres são organizadas, se unem, levantam suas vozes e que ninguém nos silencia”.
Ao frisar que a mobilização em prol da luta das mulheres por respeito, direitos, igualdade e dignidade foi um verdadeiro sucesso, Sandra Muñoz destacou o que ainda precisa ser feito. Entre as reivindicações, pediu a reabertura imediata, por parte da Prefeitura, do Conselho Municipal da Mulher. Também solicitou a realização de uma campanha, por parte da Câmara, contra o feminicídio.
Ao concordar e afirmar que “homem protege e não agride”, e que a Câmara, por meio da Comissão da Mulher, tem realizado esse trabalho de conscientização, o vereador Ricardo Almeida (DC), que abriu a sessão, colocou a Casa à disposição da Casa Marielle Franco. “Nos colocamos à disposição dessa causa tão importante”, enfatizou Ricardo Almeida.
Ao comentar a Tribuna Popular, a vereadora Marta Rodrigues (PT) elogiou a participação de Sandra Muñoz em defesa das mulheres e destacou a importância de outras mulheres utilizarem a Tribuna Popular, neste mês de março, para contribuir com pautas relevantes, ao lado das nove vereadoras da Casa.
“E fazer ecoar a realidade de violência vivida pela classe feminina em todo o país, pois estamos tratando de um assunto grave que precisa ser amplamente debatido”, afirmou Marta.
A Tribuna Popular também foi comentada por Aladilce Souza (PCdoB), Eliete Paraguassu (PSOL), Sílvio Humberto (PSB), Hamilton Assis (PSOL) e Randerson Leal (Podemos), líder da bancada da oposição, que destacaram a importância do tema e da atuação de Sandra Muñoz.
Mulheres na mesa de trabalho
Ainda na sessão ordinária, o presidente da Câmara, vereador Carlos Muniz (PSDB), convidou as mulheres a conduzirem os trabalhos, deixando a mesa com representação exclusivamente feminina. Marta Rodrigues presidiu a sessão, tendo ainda na mesa as vereadoras Eliete Paraguassu, Aladilce Souza e Débora Santana (PDT).
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Marta Rodrigues cobra ações
estruturais contra a violência de gênero
Vereadora defende políticas públicas permanentes e reforço das redes de proteção às mulheres
A vereadora Marta Rodrigues (PT) afirmou que os dados recentes sobre violência de gênero no Brasil acendem um alerta grave justamente no período em que o país marca o Mês da Mulher. Segundo ela, levantamentos divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aliados a estatísticas nacionais e a casos recentes noticiados na imprensa, mostram que a realidade ainda é cruel e dolorosa, mesmo diante de alguns avanços.
“Na mesma semana em que o Brasil se choca com o caso de uma adolescente estuprada por quatro homens, em uma emboscada que deixou a população horrorizada, os dados confirmam tudo o que estamos vivenciando e o quanto é urgente mudar essa sociedade machista e perversa com as mulheres”, afirmou.
De acordo com a vereadora, os números mostram que o Brasil registrou 1.518 vítimas de feminicídio em 2025, o maior número desde que o crime passou a ser tipificado no país, o que representa cerca de quatro mulheres assassinadas por dia em razão do gênero. No campo da violência sexual, o cenário também preocupa.
“O Brasil registra mais de 80 mil casos de estupro por ano, o equivalente a centenas de ocorrências diárias, sendo a maioria das vítimas meninas e adolescentes. Esses casos precisam provocar não apenas dor, mas uma indignação permanente na sociedade”, disse.
Marta Rodrigues também chamou a atenção para situações de violência que muitas vezes só vêm à tona por meio da atuação de escolas e redes de proteção. Ela citou o caso recente de uma menina de apenas 12 anos que estava sendo abusada por um homem com mais de 30 anos. A situação foi descoberta após a equipe pedagógica de uma escola perceber a evasão escolar da estudante e acionar o Conselho Tutelar.
“Esse episódio mostra como a educação também é parte fundamental da rede de proteção. Muitas violências começam dentro do ambiente familiar e só são percebidas quando surgem sinais na escola, como ausências frequentes ou mudanças de comportamento”, destacou.
Conquistas
Para a parlamentar, o caso evidencia a importância de fortalecer equipes multidisciplinares nas escolas, com pedagogos, psicólogos e assistentes sociais preparados para identificar sinais de violência e acionar os órgãos responsáveis.
Apesar da gravidade dos números, Marta afirmou que também é preciso reconhecer conquistas históricas resultantes da luta das mulheres. “Cada avanço foi fruto de mobilização. Março não pode ser apenas um mês simbólico, e essa luta não pode ser lembrada apenas neste período”, destacou.
Ela lembrou que a trajetória de direitos femininos no Brasil inclui marcos importantes, como o voto feminino conquistado em 1932, além de legislações fundamentais como a Lei Maria da Penha e a lei que tipificou o feminicídio. Também citou a recriação do Ministério das Mulheres e a ampliação de políticas como a Casa da Mulher Brasileira e o fortalecimento do serviço Ligue 180.
Segundo a vereadora, o aumento das denúncias também indica que mais mulheres estão rompendo o silêncio e buscando apoio institucional. “Isso mostra que políticas públicas começam a criar redes de proteção, mas não significa que o problema esteja resolvido. Pelo contrário, revela o tamanho do desafio que ainda precisamos enfrentar”, afirmou.
A vereadora também ressaltou que o impacto da violência de gênero atinge de forma ainda mais dura determinados grupos sociais. “O machismo mata, abusa, assedia e humilha, e sabemos que ele atinge com mais força as mulheres negras, que estão entre as principais vítimas da violência no país. Combater essa realidade exige enfrentar desigualdades históricas”, pontuou.
Marta Rodrigues defendeu o fortalecimento de medidas estruturais, como a ampliação de delegacias especializadas, redes de acolhimento, campanhas educativas permanentes e a aplicação rigorosa da legislação. “A violência contra a mulher está ligada a uma cultura histórica de machismo e a uma estrutura patriarcal que naturalizou a desigualdade. Combater isso exige educação, políticas públicas firmes e punição efetiva para os agressores”, concluiu.
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Aladilce quer mais representação
feminina nos espaços de poder
Vereadora participou de caminhada pelo Dia da Mulher, na Barra, e destacou dados da violência de gênero na Bahia e no Brasil
A vereadora Aladilce Souza (PCdoB) foi uma das lideranças políticas que marcaram presença na caminhada pelo Dia da Mulher, do Morro do Cristo ao Farol da Barra, no domingo (8). A mobilização pediu o fim do feminicídio que, segundo dados da segurança pública, mata em média quatro mulheres por dia no Brasil. A cada 24 horas, outras 12 mulheres são vítimas de diferentes formas de violência.
Em seu quinto mandato como vereadora de Salvador, Aladilce defendeu uma maior presença feminina nos parlamentos e em outros espaços de poder, além de demonstrar otimismo em relação às próximas eleições.
“O enfrentamento ao feminicídio é urgente e só vai avançar quando tivermos mais mulheres nos postos de decisão. Estamos na cidade mais negra fora da África e não podemos ignorar que mais de 62% das vítimas de feminicídio no Brasil são negras. E nossa capital lidera o triste ranking de violência de gênero”, declarou a vereadora.
Números
De acordo com estatísticas oficiais, em 2025 foram registrados 103 casos de feminicídio na Bahia, sendo que a capital liderou o ranking, com 11 ocorrências. Salvador figura entre as capitais mais violentas para as mulheres e registrou 4.500 pedidos de medida protetiva no ano passado.
“Uma tragédia que precisa ser contida com políticas públicas e com o envolvimento de homens conscientes ao nosso lado”, destacou a vereadora, ressaltando a importância do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, lançado recentemente.
Segundo ela, a ocupação de cargos de decisão por mulheres altera prioridades das políticas públicas, favorecendo áreas sociais como saúde, educação e assistência social, “devido à relação intrínseca das mulheres com o cuidado familiar”.
A presença feminina nos espaços de poder, observou a parlamentar, também impulsiona pautas como o enfrentamento ao machismo e à violência contra a mulher, a exemplo da Lei Maria da Penha, que teve como relatora a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB/RJ).
“Este ano há uma mobilização crescente pelo avanço da representação feminina nesses espaços, especialmente diante do aumento do feminicídio, com expectativa de avanço nas eleições de 2026. É crucial que a sociedade, os partidos e as instituições incentivem e permitam que mais mulheres participem da esfera pública, superando barreiras que historicamente as colocaram em posição secundária em relação aos homens”, argumentou Aladilce.

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