Uma grave denúncia sacode os bastidores da gestão de resíduos sólidos em Nazaré. A cooperativa UNIECO, que firmou um contrato milionário com a prefeitura local em janeiro de 2025, está sendo alvo de acusações que variam de condições degradantes de trabalho a possíveis desvios de repasses financeiros devidos aos catadores.
As denúncias, trazidas a público pelo Sr. José Mário, conhecido como Zé Mário, detalham um cenário de opressão e precariedade que contrasta drasticamente com as cifras do contrato público.
Segundo levantamento, a UNIECO foi contratada pela Prefeitura de Nazaré por meio de dispensa de licitação, com um valor global que se aproxima dos R$ 3 milhões. O objetivo do contrato seria a profissionalização da coleta seletiva e o suporte digno aos catadores de materiais recicláveis.
Entretanto, Zé Mário aponta uma disparidade financeira alarmante:
A Promessa: O repasse da venda do material reciclado deveria gerar um acréscimo de aproximadamente R$ 470,00 no rendimento mensal de cada trabalhador.
A Realidade: Denúncias indicam que os trabalhadores estão recebendo menos de R$ 70,00 referentes a esse rateio, sem explicações claras sobre o destino do restante do montante.
Além do prejuízo financeiro, o relato de Zé Mário destaca a falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Trabalhadores estariam manipulando resíduos sem a segurança necessária, expondo-se a riscos biológicos e acidentes graves.
O ponto mais crítico da denúncia recai sobre a figura do gerente local, conhecido como Dinho e a responsável Shirley. Relatos indicam que os funcionários são tratados com total desrespeito e sofrem ameaças constantes de retaliação caso reclamem das condições de trabalho ou da baixa remuneração. Essa conduta, segundo especialistas jurídicos, é um dos pilares que configuram o trabalho análogo à escravidão (coação e cerceamento de direitos).
Em março de 2024, este repórter (Marcius Pirôpo) teve a oportunidade de entrevistar o então presidente da UNIECO, Reynan Almeida. Na ocasião, Almeida demonstrou competência e um discurso alinhado com o fortalecimento do cooperativismo social.
O cenário atual em Nazaré levanta a hipótese de que a presidência da cooperativa possa estar alheia às práticas autoritárias e às irregularidades cometidas pela gerência regional. A "repressão" mencionada por Zé Mário sugere uma blindagem de informações que impede que a verdade chegue aos escalões superiores da organização.
A gravidade dos fatos exige uma auditoria imediata do Ministério Público do Trabalho (MPT) e do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) para fiscalizar a aplicação dos R$ 3 milhões oriundos dos cofres públicos.
Obs: A denúncia do Sr Zé Mário foi em áudio enviado diretamente a nossa redação.
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Espaço Aberto: Este portal e o jornalista Marcius Pirôpo mantêm o compromisso com a ética e a imparcialidade, deixando o espaço aberto para que a Prefeitura de Nazaré, a diretoria da UNIECO e o gerente citado (Dinho) possam apresentar suas justificativas e documentos que comprovem a regularidade dos repasses e das condições de trabalho.


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