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Assédio eleitoral: especialista explica o que é e como denunciar

 



_Proximidade das eleições acende alerta sobre o tema_


Com a proximidade das eleições, trabalhadores e empregadores devem ficar atentos ao chamado *assédio eleitoral* no ambiente de trabalho. A prática ocorre quando alguém utiliza uma relação profissional para coagir, intimidar, ameaçar, humilhar ou constranger outra pessoa com o objetivo de influenciar seu voto ou sua manifestação política.


Uma pesquisa publicada pela Justiça do Trabalho no último dia 18 mostra que, dos 738 processos ajuizados sobre o tema entre maio de 2023 e agosto de 2026, em 92% foram identificadas características de assédio institucional, forma de assédio eleitoral mais praticada.


De acordo com a entidade, o assédio institucional consiste em situações em que a própria organização permite, estimula ou legitima práticas de assédio eleitoral, por meio, por exemplo, do envolvimento da alta cúpula, do uso de ferramentas de comunicação interna para fins político-partidários e da instrumentalização da jornada de trabalho para atividades eleitorais (como convocação para reuniões partidárias, carreatas e panfletagem).


“A relação de trabalho não pode ser utilizada como instrumento de pressão política. O empregador pode manifestar suas preferências, mas não pode transformar sua posição hierárquica em mecanismo de coação ou constrangimento do trabalhador”, explica o advogado Breno Novelli, sócio do escritório *SNM Advogados*, em Salvador, e membro da Comissão de Direitos Sociais e Relações de Trabalho da OAB-BA e do Instituto Baiano de Direito do Trabalho (IBDT).


*Situações que podem configurar assédio, segundo o MPT*

• Reuniões com trabalhadores para tratar de orientação política no pleito eleitoral;

• Ameaçar cortes de pessoal ou mudança na forma de trabalho, caso o candidato oponente ao indicado seja eleito;

• Entregar material de propaganda eleitoral aos trabalhadores;

• Perseguir, retaliar ou fiscalizar com mais rigor trabalhadores que sabidamente têm orientação política diversa do assediador.


*Quem pode ser vítima*

• Qualquer trabalhador (empregado, servidor público ou terceirizado);

• Estagiários e aprendizes;

• Trabalhadores com emprego rescindido;

• Voluntários;

• Pessoas à procura ou candidatas a emprego;

• Pessoas que exercem responsabilidades de empregadores.


*Quem pode ser autor*

• Empregadores, representantes ou prepostos de empresas e dirigentes de órgãos públicos;

• Colegas de trabalho;

• Os próprios trabalhadores (contra superiores hierárquicos);

• Terceiros, como tomadores de serviço e clientes.


“É importante destacar que o assédio eleitoral não parte necessariamente do empregador. A prática pode ser cometida por gestores, colegas de trabalho, representantes da empresa e até terceiros que tenham relação com aquela atividade profissional", esclarece Breno Novelli. "O que caracteriza o assédio é a tentativa de constranger ou influenciar a liberdade de escolha política do trabalhador”, frisa.


*Como denunciar*

As denúncias podem ser feitas pelos sites do Tribunal Superior do Trabalho (tst.jus.br/denuncia-assedio-eleitoral) e do Ministério Público do Trabalho (mpt.mp.br/assedio-eleitoral). Em caso de suspeita, recomenda-se armanezar, se possível, mensagens, e-mails, áudios, vídeos, documentos e outros elementos que possam comprovar a situação.

 

“A liberdade de escolha política é um direito individual e não pode ser condicionada à manutenção do emprego ou a qualquer vantagem profissional. Por isso, é importante guardar as provas e buscar os canais adequados de denúncia”, orienta o advogado. "Inclusive, a depender da gravidade do assédio, é possível ajuizar reclamação trabalhista buscando indenização por danos morais", acrescenta.


*Sobre o SNM Advogados*

Fundado em 2010, o Santos, Novelli & Macedo Advogados se apresenta como escritório _full service_, com atuação nas mais diversas áreas do direito. Tem por escopo precípuo prestar assessoria jurídica consultiva e contenciosa em prol de seus contratantes, integrantes dos mais variados setores produtivos, empresariais e entes públicos.

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