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| foto: UOL / redes sociais |
Por Marcius Pirôpo | PIRÔPO NEWS
O 11 de setembro é uma daquelas datas que marcaram a história da humanidade para sempre. Em um intervalo de 28 anos, dois episódios de naturezas diferentes deixaram feridas que ainda sangram. O primeiro, em 1973, quando o Palácio de La Moneda, no Chile, foi bombardeado, destruindo uma democracia por dentro e instaurando uma das ditaduras mais brutais da América Latina. O segundo, em 2001, há exatos 25 anos, quando o terrorismo da Al-Qaeda derrubou as Torres Gêmeas em Nova York diante das câmeras de todo o planeta, alterando a política de segurança mundial.
Ambos os eventos produziram imagens que atravessaram gerações: La Moneda em chamas e as torres desabando. Foram ataques terríveis e covardes. No entanto, enquanto o mundo para nesta data para homenagear as milhares de vítimas do passado, uma pergunta urgente precisa ser feita: por que continuamos tolerando o extermínio no presente?
Não podemos fechar os olhos. O terror não é apenas uma lembrança dos livros de história ou de cerimônias anuais; ele é a realidade diária de milhões de pessoas agora mesmo. Vidas continuam sendo ceifadas de forma implacável em diversas guerras que estão acontecendo neste exato minuto, longe (ou não) da comoção internacional.
Vemos cidades inteiras sendo dizimadas na Ucrânia, sob o peso de bombardeios que destroem hospitais, escolas e famílias. Na Faixa de Gaza, assistimos a uma tragédia humanitária sem precedentes, onde o número de mortos — muitos deles crianças — cresce a cada dia em meio a escombros. E não podemos esquecer do continente africano, onde países inteiros sofrem, em silêncio e sem os mesmos holofotes da mídia, nas mãos de milícias armadas que espalham a fome e a morte.
O que alimenta essa máquina de moer gente? Muitas vezes, o discurso oficial fala em defesa e segurança, mas sabemos que as motivações são muito mais sombrias. São guerras movidas pela ganância, pela disputa do controle de recursos naturais como o petróleo, e alimentadas pelo perigoso viés do extremismo e da intolerância religiosa.
O 11 de setembro provou como grandes rupturas históricas não terminam no dia em que a fumaça desaparece. Os efeitos negativos perduram por décadas. Se já aprendemos o custo da violência institucional e do terrorismo, precisamos dar um basta imediato nessas novas guerras.
Que a memória dos que caíram em Santiago e em Nova York sirva de alerta. Chorar as vítimas de 1973 e 2001 exige de nós a coerência de defender as vidas na Ucrânia, em Gaza, na África e em todos os cantos onde a paz ainda é refém de interesses inconfessáveis. O mundo já viu escombros demais.
