![]() |
| imagem redes sociais |
Documentos obtidos pelo Pirôpo News revelam um decreto que funciona como uma verdadeira "mágica contábil", misturando dinheiro federal, royalties e recursos próprios do município para inflar uma obra de pavimentação. Enquanto isso, a população sofre com a falta de serviços essenciais.
A equipe de reportagem do portal Pirôpo News Bahia teve acesso a documentos oficiais que revelam uma grave manobra orçamentária na Prefeitura Municipal de Nazaré. O Decreto de Suplementação Nº 087, datado de 14 de setembro de 2026 e assinado pelo prefeito Carlos Benon Sampaio Cardoso, movimenta R$ 1.160.000,00 (Um milhão, cento e sessenta mil reais) de forma, no mínimo, questionável.
Para que o cidadão entenda a gravidade da situação, é preciso olhar para a "etiqueta" do dinheiro público. Na contabilidade da prefeitura, cada centavo tem uma origem carimbada (a chamada Fonte de Recursos). O que o decreto fez foi pegar dinheiro de três gavetas diferentes e fingir que tudo saiu de uma só.
A "Mágica" com o Dinheiro Público
O documento mostra que a prefeitura anulou (retirou) dinheiro de três lugares:
R$ 400 mil de Transferências Especiais da União (Dinheiro Federal);
R$ 500 mil de Royalties;
R$ 260 mil de Recursos Ordinários (O dinheiro "livre" do caixa da prefeitura).
O problema gravíssimo começa aqui: o decreto pegou todo esse montante de R$ 1,16 milhão e o transferiu para uma única conta carimbada como "Outras Transferências de Convênios do Estado" (Fonte 17010), para ser usado em obras de pavimentação.
Em termos simples: o prefeito pegou dinheiro do Governo Federal, dinheiro de Royalties e dinheiro do próprio bolso do município, e "maquiou" a contabilidade para fazer parecer que todo esse valor é fruto de um convênio com o Governo Estadual. Na administração pública, apagar a origem real do dinheiro para justificar um gasto é um forte indício de irregularidade e fere os princípios básicos de transparência exigidos pelo Tribunal de Contas.
A reportagem do Pirôpo News tem recebido diversas denúncias de moradores de Nazaré sobre a falta de serviços básicos e essenciais no dia a dia da cidade. O decreto Nº 087 ajuda a explicar o motivo.
Para engordar essa obra de pavimentação, a gestão retirou R$ 260 mil da Fonte 15000 (Recursos Ordinários). Esse é justamente o dinheiro livre da prefeitura, aquele que não está amarrado a nada e que deveria ser usado para garantir o funcionamento dos postos de saúde, a compra de remédios, a limpeza da cidade e a manutenção diária. Desse valor, R$ 160 mil foram arrancados diretamente da verba que seria destinada à construção e manutenção de praças, parques e mercados da cidade.
A escolha da gestão foi clara: esvaziar o caixa que mantém a cidade funcionando para injetar em uma obra específica, alterando a identidade da verba no papel.
A transparência na administração pública não é uma concessão, mas um dever rigoroso exigido por lei. O cidadão nazareno tem o direito inalienável de saber como os recursos estão sendo geridos.
Sob a luz do Estado Democrático de Direito, o Pirôpo News reafirma seu compromisso inegociável com o jornalismo investigativo e independente. A liberdade de informar e de ser informado é uma garantia fundamental da sociedade, assegurada pelo Artigo 220 da Constituição Federal e amplamente ratificada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento da ADPF 130, que veda qualquer tipo de censura e protege o livre exercício da imprensa na fiscalização do poder público.
Pautado pela ética e pela busca irrestrita da verdade, o jornalismo sério não condena por antecipação, mas expõe os fatos documentados à luz pública. Em estrito respeito ao princípio do contraditório, o portal Pirôpo News deixa este espaço integralmente aberto para que o prefeito Carlos Benon Sampaio Cardoso e a Prefeitura Municipal de Nazaré apresentem a sua versão oficial e os devidos esclarecimentos orçamentários sobre os pontos levantados nesta reportagem.
A sociedade aguarda respostas claras, e não apenas números no papel.


