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CAOS EM SALVADOR : Tão perto, tão longe: motoristas dormem na fila enquanto posto só abastece viaturas

Caminhões-tanque levaram gasolina para abastecer apenas carros oficiais do governo, no Stiep
Quem levou galões para encher de combustível saiu do posto com eles vazios
(Foto: Evandro Veiga/CORREIO)
Dentro do carro há 18 horas e meia, o engenheiro civil Paulo Roberto Santos, 52 anos, observava a preciosa gasolina sair das bombas do Posto Escola, no Stiep, para encher as viaturas da Polícia Militar da Bahia. O carro dele, parado na fila para tentar abastecer desde as 17h de sexta-feira (25), nem se mexia.
Por que ele não foi embora? “Estou zerado. Moro em Piatã e não tenho nem como voltar. Só precisamos de cinco litros de gasolina. O pessoal do posto disse que, a partir de 8h, a gente ia poder, mas os policiais não estão deixando”, contou. Já eram 11h40.
O posto de combustível onde Paulo passou a noite era o único onde  ainda havia combustível, neste sábado (26), em Salvador, embora o Sindicato de Combustíveis da Bahia (Sindicombustíveis-BA) tivesse informado que o estoque de todos os 2,8 mil postos da Bahia estava zerado.
Mas a gasolina disponível ali tinha endereço certo: as viaturas da PM baiana e outros carros oficiais do governo do estado. Muita gente ‘comum’ que dormiu na fila teve mesmo que ficar por lá, preso na famosa pane seca.
Foi o drama da estudante de Ciências Contábeis Sueli Lopes, 44. Ela chegou com os dois filhos - adolescentes de 13 e 14 anos - e o marido por volta das 18h de sexta-feira (25). Estavam procurando um posto para abastecer e conseguir voltar para casa - próximo à Ceasa de Simões Filho. Angustiada, ela mostrava um galão com capacidade para cinco litros - vazio. 
“Eu já desci aqui com o galão duas vezes e eles negaram, mesmo eu tendo visto algumas pessoas saindo com gasolina, mas disseram que eram amigos dos PMs. Não temos opção até aparecer uma alternativa. Como vamos sair daqui sem gasolina?”, questionou.
Os tanques secos provocaram tumulto e, por duas vezes, a pista próxima ao Hospital Sarah foi bloqueada por quem tentava comprar gasolina pelo menos para voltar para casa.
Pelo menos dois caminhões-tanques chegaram ao Posto Escola neste sábado (26)
(Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)
Oficiais?
“Eu não tenho como tirar o meu carro daqui. A gente só está exercendo o nosso direito de consumidor. Em nenhum momento, estamos contra o abastecimento das viaturas. O que não pode acontecer é que enquanto estamos na fila querendo combustível apenas para conseguir tirar o carro do lugar, ver gente como um Ford Eco Sport branco que saiu daqui sem identificação de veículo oficial sair abastecido”, reclamou o advogado Joanielson Silva, que chegou à fila às 22h de sexta-feira (25).

Mesmo não estando em carro oficial, um major da PM se encaminhava para abastecer,  na manhã deste sábado (26). Ele alegou que estava prestando apoio às equipes na rua com o próprio veículo. 
Ao CORREIO, diversos motoristas relataram ter visto carros sem emblemas oficiais sendo abastecidos durante a madrugada. O agente de portaria Ageneilton dos Santos, 45, chegou a gravar um vídeo, mas disse que um policial militar teria mandado que ele apagasse. 
“Eu consegui gravar os outros carros, mas ele me forçou a deletar”, contou ele, que queria gasolina para sua moto. “Já vieram muitos enchendo vasilhas e levando e enchendo carro particular”, disse outro homem, que não se identificou.
Questionada, a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) informou que os caminhões com combustíveis que estavam chegando para o Posto Escola foram negociados com o movimento de caminhoneiros para abastecer veículos que prestam serviços essenciais, como polícia, bombeiros, hospitais, entre outros.
No final da tarde deste sábado (26), houve novo tumulto em frente ao posto
(Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)
Pista fechada
O primeiro tumulto nas imediações do posto começou às 9h deste sábado, quando dois caminhões-tanque chegaram ao local, mas os carros da fila não puderam abastecer. Um táxi foi rebocado, segundo o presidente da Associação Geral dos Taxistas, Ademilton Paim.

No final da tarde, mais confusão. Um grupo formado principalmente por motociclistas ameaçou fechar a pista e impedir a passagem de um ônibus. A situação foi controlada pela Polícia Militar, mas os motoristas não deixaram o local, nem mesmo após a recomendação do subcomandante da 40ª CIPM (Nordeste de Amaralina), Luiz Nascimento, que gerenciava a operação no posto.
Governo
Quem ficou, tinha esperança. “A gente tá na esperança de liberar, mas disseram que o governador da Bahia disse que não vai liberar gasolina pra usuário nenhum”, queixou-se um rapaz, em entrevista à TV Bahia.

O governador Rui Costa (PT), que passou a semana fazendo inaugurações pelo interior, gravou um vídeo para o Facebook, mas não mencionou a disputa entre viaturas e população.
“Eu tenho que garantir que não haja colapso nos serviços públicos. Eu tenho que garantir a segurança pública das pessoas. Eu tenho que garantir que as pessoas vão continuar recebendo oxigênio de pacientes que estão, por exemplo,  na UTI”, disse.
Sem Exército
Apesar do esgotamento de combustível no estado e dos tumultos provocados pela disputa de gasolina na capital, a Bahia não deve contar com o apoio das tropas do Exército para operações de logística ou escolta de combios nas rodovias estaduais.

Na tarde deste sábado (26), o Comando Militar do Exército no Nordeste informou que as tropas atuariam na Operação Estrada Livre, coordenando ações com as forças de segurança federais e estaduais.
“Estamos trabalhando na logística, em segurança de comboio, abastecimento de viaturas, mas de acordo com o que o governo do estado solicita. Eu ainda não recebi solicitação do governo da Bahia”, disse o porta-voz da Operação no Exército, coronel Marco Antônio.
Procurado, o governo do estado disse, neste sábado (26) à noite, por meio da assessoria, que não havia previsão de que as tropas fossem acionadas.
INFORMAÇÕES: CORREIO
Marcius Pirôpo Campeão Mundial

PIRÔPO NEWS BAHIA

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