sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Não dá em nada, diz Mourão sobre investigação de interferência de Bolsonaro na PF

 

Não dá em nada, diz Mourão sobre investigação de interferência de Bolsonaro na PF
Foto: Romério Cunha/VPR


O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que o inquérito aberto para apurar interferência do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Polícia Federal é o "tipo de negócio que não dá em nada" A declaração foi dada na manhã desta sexta-feira (27), ao chegar ao Palácio do Planalto. O vice-presidente foi questionado por jornalistas sobre a decisão do presidente Bolsonaro de não depor no inquérito instaurado para apurar as acusações de interferência no comando da PF.

 

"Isso aí é um assunto que está afeto ao presidente, é um assunto que não passa por mim", respondeu inicialmente o vice-presidente.

 

Mourão em seguida foi questionado se concordava com a alegação da AGU de que as ilações de interferência do presidente na PF seriam infundadas. "Também concordo. É o tipo de negócio que não dá em nada", afirmou Mourão.

 

A decisão do presidente de não prestar depoimento foi comunicada nesta quinta-feira (26) ao STF (Supremo Tribunal Federal) pelo advogado-geral da União, José Levi do Amaral Júnior. A palavra final sobre a realização da oitiva, no entanto, cabe ao relator da apuração, ministro Alexandre de Moraes. Na condição de investigado, o presidente pode faltar ao compromisso caso Moraes determine que a PF marque o depoimento.

 

"O peticionante [Bolsonaro] vem, respeitosamente, à presença de V.Exa., declinar do meio de defesa que lhe foi oportunizado unicamente por meio presencial", afirmou Levi.

 

O inquérito foi aberto no STF para apurar as acusações do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro de que o presidente da República tentou interferir na autonomia da PF para proteger familiares e aliados. Moro fez as acusações ao deixar o ministério, em abril.

 

Moraes assumiu a relatoria do caso após a aposentadoria do ministro Celso de Mello no mês de setembro. Em um dos últimos atos no tribunal, Celso determinou que Bolsonaro prestasse depoimento presencial e autorizou a defesa de Moro a acompanhar o interrogatório.

 

O chefe do Executivo, em sua comunicação ao STF, pede ainda ao relator que os autos do inquérito sejam encaminhados à Polícia Federal para "elaboração de relatório final" a ser submetido ao procurador-geral da República, Augusto Aras, a quem compete apresentar denúncia ou pedir o arquivamento da apuração.

 

O depoimento de Bolsonaro, segundo os investigadores encarregados do caso, é apontado como uma das providências finais da apuração. O presidente afirmou ainda ao STF que a divulgação do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril "demonstrou completamente infundadas quaisquer das ilações que deram ensejo ao presente inquérito". Anexada ao inquérito, a gravação foi apontada por Moro como uma das provas de que Bolsonaro tentou interferir na polícia.



BN

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