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Prefeitura do Rio rescinde contrato com empresa de reboques após denúncia de tentativa de suborno

O vereador Gabriel Monteiro (PSD) gravou uma reunião em sua casa com a participação de Jailson dos Santos Salazar, dono da JS Salazar, quando ele diz ter recebido uma oferta de R$ 200 mil por mês para ser 'parceiro' da empresa. Gabriel realizou uma fiscalização em um pátio da prefeitura na tarde de terça (8).


Foto: Reprodução redes sociais


A Prefeitura do Rio de Janeiro rescindiu o contrato com a empresa JS Salazar, responsável pela administração dos pátios e dos reboques de veículos no município. A decisão aconteceu nesta quarta-feira (9), após uma suspeita de tentativa de suborno envolvendo o dono da empresa, Jailson dos Santos Salazar.

Segundo o vereador Gabriel Monteiro (PSD), o dono da JS Salazar, junto com os policiais militares Renan Bastos de Brito e Djalma dos Santos Araujo, foram até a sua casa na noite de terça para oferecer suborno em troca da paralisação das vistorias que ele vinha realizando.

Gabriel gravou o encontro e, segundo ele, a proposta de Jailson seria de uma mensalidade de R$ 200 mil para que o vereador virasse "parceiro" deles.

Ainda de acordo com Gabriel, o objetivo do pagamento mensal seria evitar que o vereador continuasse fiscalizando os pátios da Prefeitura do Rio destinados para a apreensão de veículos.

Na última terça-feira (7), o vereador e sua equipe estiveram no pátio da prefeitura localizado em São Cristóvão, na Zona Norte. No local, Gabriel teria encontrado irregularidades como a falta de peças no interior dos veículos apreendidos.

Segundo Gabriel, ainda no local ele teria recebido uma ligação e mensagens dos responsáveis da empresa com ameaças e um pedido para parar a fiscalização.

"A primeira negociação foi no pátio. Depois aqui em casa eles vieram com a proposta pronta. Eu achei que fossem me oferecer R$ 20 ou R$ 30 mil para eu não publicar o vídeo que eu tinha feito no pátio da prefeitura. Mas aí ele falou que seria uma mensalidade de R$ 200 mil por mês para eu ser parceiro deles", contou Gabriel ao g1.

"Qualquer pessoa pode discordar do meu trabalho, mas eu sou honesto e não posso violar meus princípios. Não aceitei e dei voz de prisão para todo mundo", completou o vereador.


Gabriel estava acompanhado de sua equipe de seguranças durante a reunião em sua casa e de lá foi com todos os envolvidos para a Delegacia de Polícia da Barra da Tijuca (16ª DP).

O vereador ainda contou que o prefeito Eduardo Paes (PSD) mandou uma mensagem para ele assim que ficou sabendo da denúncia de corrupção avisando que iria romper o contrato com a empresa.

Após deixar a delegacia, Gabriel gravou um vídeo dizendo que pretende combater a 'máfia dos reboques' no Rio de Janeiro.

"To a madrugada toda trabalhando aqui na delegacia. O 01 ta preso. Acabo de prender o sócio da empresa que administra os pátios. Ele tentou me corromper com R$ 200 mil. Ele está aqui na delegacia preso. Oficiais da Polícia Militar estão envolvidos e com certeza muita coisa e muita gente grande vai se complicar. Eu falei que não teria medo e que combateria", disse Gabriel.


Novas investigações

Segundo o deputado Dionísio Lins (Progressista), presidente da Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), o colegiado vai propor ao Ministério Público (MP) que dê início a uma investigação sobre os serviços da empresa JS Salazar.


"É grande o número de reclamações que a comissão recebe sobre o assunto. Não bastasse a indústria das multas que assombra milhares de motoristas, agora chegou a vez da farra dos reboques. Temos relatos de motoristas que foram retirar seus veículos no pátio de São Cristóvão com toda a documentação expedida pelo Detran, e simplesmente foram informados que no local o Detran não tem ingerência alguma, ali só a prefeitura e a JS Salazar", disse Dionísio Lins.

Dionísio disse ainda que vai solicitar ao MP que amplie essa investigação, pois o parlamentar acredita que essa prática não ocorre só aqui na cidade do Rio de Janeiro, mas também nos demais municípios do estado.



G1

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