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Lula não perdoa: militares golpistas serão punidos, sem anistia

 


 No último sábado à noite, ao ser apresentado pelo ministro José Múcio Monteiro, da Defesa, a Lula, o general Tomás Ribeiro Paiva, novo comandante do Exército, ouviu dele que não haverá perdão para os militares que se envolveram diretamente ou indiretamente na fracassada tentativa de golpe de Estado no 8 de janeiro.

 A foto do encontro, de Ricardo Stuckert, fotógrafo oficial da Presidência, mostra Lula e o general, ambos sorridentes, de pé e apertando as mãos. Mas antes disso, Lula pareceu irritado. Foi quando se queixou a Ribeiro Paiva dos acampamentos de golpistas tolerados pelo Exército à porta dos seus quartéis.

 Lula lembrou ao general que durante seus dois governos anteriores, manteve relações amistosas com as Forças Armadas, procurando atender seus pedidos. Gabou-se de ter sido o presidente que mais destinou verbas para a modernização do Exército. Não entendia tamanha hostilidade ao seu retorno.

 O que Lula disse ao general é fato conhecido. Fato menos recordado é que logo no início do primeiro mandato de Lula, ele teve de escolher entre o comandante do Exército e o ministro da Defesa, o embaixador José Viegas. Os dois haviam se desentendido. Lula deu razão ao comandante e Viegas foi embora.

“O presidente não perdoou nem irá perdoar a ocupação dos acampamentos em frente ao QG do Exército”, reforça José Múcio. “Evidentemente, o Exército não estava por trás daquilo, mas precisa punir quem estava envolvido”. Quem estava por trás daquilo? Apenas Bolsonaro a quem os generais se curvaram?

 Teria sido possível a militantes de partidos e de movimentos de esquerda acamparem em áreas próximas a quartéis, clamando por uma intervenção militar que impedisse a posse de um presidente recém-eleito? Quanto tempo ficariam ali? Como teriam sido tratados? Os golpistas bolsonaristas foram bem tratados.

 Entre eles havia militares da reserva, da ativa, e integrantes da chamada “família militar”. Dos acampamentos saíram os terroristas que tocaram fogo em ônibus no dia 12 de dezembro, em Brasília, puseram uma bomba em um caminhão para explodir parte do aeroporto e atacaram os prédios dos Três Poderes.

Na noite do golpe abortado, muitos voltaram ao acampamento do QG do Exército. E o general Júlio Cesar Arruda, então comandante da Arma, usou tropas e tanques para evitar que a Polícia Militar os prendesse. As prisões foram feitas na manhã do dia seguinte. Houve tempo de sobra para que fugissem os que quiseram fugir.

O general Ribeiro Paiva, considerado um oficial legalista entre seus pares, reunirá, amanhã, o Alto Comando do Exército para dizer como doravante os militares deverão se comportar. Reproduzirá as ordens que recebeu de Lula. Sem anistia. Basta a que favoreceu torturadores e assassinos da ditadura de 64.


Fonte: Blog do Noblat - Metrópole

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