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Grande Salvador registra 598 mortes no 1º semestre; Tancredo Neves é bairro mais violento da região

 

Foto: Ilustração/ Agência Brasil





A Região Metropolitana de Salvador registrou 598 mortes violentas no primeiro semestre de 2023, um aumento de aproximadamente 20% em comparação ao semestre anterior, onde foram registradas 499 mortes nos 753 tiroteios registrados, segundo levantamento do Instituto Fogo Cruzado divulgado na quarta-feira (19).

 

Ao todo, o relatório reportou 792 tiroteios com 759 vítimas no período na RMS. Em média, foram 132 tiroteios por mês e aproximadamente quatro por dia entre janeiro e junho de 2023. Em comparação com o semestre anterior, que concentrou 753 tiroteios com 663 baleados, a incidência da violência só aumentou. De lá pra cá houve um aumento de 5% no número de tiroteios e 14% no número de pessoas baleadas.

 

O número de feridos neste semestre teve uma leve redução em relação ao semestre anterior. De janeiro a junho deste ano foram registradas 161 pessoas feridas por arma de fogo, uma redução de 2% no número de feridos.

 

Salvador lidera o ranking dos municípios com a maior incidência da violência armada nesse primeiro semestre. Não houve registros da violência armada no município de São Francisco do Conde.

 

Na capital foram registrados 572 tiroteios, com 414 mortos e 117 feridos. Entre o período de 1º de janeiro de 2023 a 30 de junho de 2023, o bairro mais afetado pela violência armada em Salvador foi Beiru / Tancredo Neves com 30 tiroteios, 18 mortos e 12 feridos.

 

AÇÕES E OPERAÇÕES POLICIAIS

De acordo com o instituto, do total de tiroteios registrados neste semestre (792), 285 ocorreram durante ações e operações policiais, que culminaram na morte de 207 pessoas e deixaram 45 feridas. Esses casos correspondem a aproximadamente 36% do total de tiroteios no período informado. No semestre anterior, onde foram registrados 753 tiroteios, 244 deles ocorreram durante ações e operações, deixando 172 pessoas mortas e 48 feridas.

 

“O que nos chama atenção, além do aumento da letalidade em relação ao semestre anterior, é a decisiva participação dos agentes de segurança na produção da violência armada na região pesquisada. As operações policiais são um vetor da violência armada na Bahia. Isso aparece nos dados sobre ações policiais, perseguições com tiroteios em vias públicas e ainda a participação de agentes em quase 67% das chacinas ocorridas, e 64% das mortes resultantes desses eventos”, afirma Dudu Ribeiro, cofundador da Iniciativa Negra por Uma Nova Política de Drogas, e coordenador da Rede de Observatórios da Segurança na Bahia.

 

“Isso mostra que a violência armada na cidade de Salvador e região metropolitana têm participação decisiva dos agentes de segurança pública e que continuamos privilegiando enquanto Estado a lógica do confronto e da produção sucessiva de mortes em detrimento da prevenção e proteção dos territórios", reforça Dudu.

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