Vereadores abordam temas urbanos e ambientais em sessão na Câmara
Parlamentares trataram de mobilidade, energia, ferry-boat, poluição na Baía de Todos-os-Santos e venda do Centro de Convenções da Bahia
Registros sobre temas diversos marcaram a sessão ordinária da Câmara Municipal de Salvador, na tarde desta quarta-feira (4). O vereador Claudio Tinoco (União), que presidiu os trabalhos, comentou a venda do Centro de Convenções pelo Governo do Estado da Bahia. Ele criticou a operação e pediu mais transparência no processo.
O vereador Orlando Palhinha (União) destacou o projeto de indicação de sua autoria que trata da instalação de bocas de lobo “inteligentes” nas ruas de Salvador. Ele lamentou que a proposta ainda não tenha sido aprovada e afirmou que já existe um sistema semelhante ao sugerido por ele em Santo André, no estado de São Paulo.
Quem também fez registro foi o vereador Anderson Ninho (PDT), que criticou o anúncio sobre o aumento das tarifas do Sistema Ferry-Boat. Ele também reclamou da sujeira das embarcações e relatou que sua filha, de quatro anos, disse que o ferry era uma “sucata”.
Já o vereador Cezar Leite (PL) reclamou do sistema de fornecimento de energia elétrica na Pituba, que vem apresentando problemas na voltagem fornecida.
O líder do governo, vereador Randerson Leal (Podemos), voltou a destacar o sistema de circulação para motos na cidade, notadamente as faixas azuis, que, segundo ele, têm contribuído para reduzir o número de acidentes.
Por sua vez, a vereadora Aladilce Souza (PCdoB) registrou preocupação com a Baía de Todos-os-Santos, que, segundo ela, vem tendo sua beleza prejudicada pelo aumento da poluição. Um laudo do Inema apontou a presença de contaminação por nitrato de cobre.
------------------------------
Bacelar defende travessia
marítima entre Barra e Subúrbio
Vereador destaca projeto apresentado na Câmara e afirma que estudos da Prefeitura reforçam viabilidade do transporte aquático
O vereador João Cláudio Bacelar (Podemos) reforçou a importância da implantação da travessia marítima ligando a Barra ao Subúrbio Ferroviário durante entrevista concedida ao programa Boa Tarde Bahia. Ele destacou que o projeto apresentado no último trimestre do ano passado ganhou novo fôlego após a Prefeitura iniciar, em fevereiro, estudos para viabilizar o transporte aquático urbano na capital.
A proposta foi formalizada por meio do Projeto de Indicação nº 474/2025, que recomendou ao Executivo Municipal a estruturação de linhas regulares de embarcações integradas ao sistema de mobilidade urbana. O texto apontou a ligação entre a Barra e o Subúrbio como uma das rotas prioritárias, defendendo o uso estratégico da Baía de Todos-os-Santos como alternativa sustentável e eficiente ao transporte terrestre.
Bacelar destacou que o projeto foi construído a partir de audiências públicas realizadas com moradores, especialistas e representantes da sociedade civil, consolidando a iniciativa como uma demanda coletiva. Segundo ele, o debate permitiu ouvir diferentes regiões da cidade e estruturar uma proposta técnica alinhada à realidade da capital.
“Esse é um projeto construído com diálogo. Ouvimos a população, especialistas em mobilidade e representantes de comunidades que sofrem diariamente com longos deslocamentos. Salvador nasceu voltada para o mar e precisa transformar essa vocação em solução concreta para a mobilidade urbana”, afirmou o vereador.
O parlamentar observou ainda que a implantação da travessia marítima pode reduzir o tempo de deslocamento, desafogar o trânsito nas vias terrestres, integrar regiões historicamente distantes e ainda fortalecer o turismo e a economia local.
Estudos técnicos
Em fevereiro, a Prefeitura de Salvador deu início a estudos técnicos para avaliar a implementação do transporte aquático na cidade, incluindo visitas a modelos já em funcionamento em outras capitais. Para Bacelar, o movimento confirmou a viabilidade da proposta apresentada anteriormente na Câmara.
“O início dos estudos por parte da Prefeitura demonstra que estamos no caminho certo. Agora é avançar no planejamento técnico para que a travessia Barra–Subúrbio saia do papel e se torne uma realidade para a população”, pontuou.
------------------------------
Hamilton Assis propõe criação da
Conferência Municipal do Carnaval
Projeto de indicação sugere instância permanente de participação social para debater políticas públicas e a organização da festa
O vereador Hamilton Assis (PSOL) apresentou o Projeto de Indicação nº 52/2026, que propõe ao prefeito Bruno Reis a instituição da Conferência Municipal do Carnaval como instância oficial, democrática e permanente para a formulação, o acompanhamento e a avaliação das políticas públicas relacionadas à festa.
A proposta reconhece o Carnaval como uma das maiores manifestações culturais do mundo, expressão estruturante da identidade do povo soteropolitano e patrimônio cultural imaterial, além de destacar sua relevância econômica e social. A festa envolve milhares de trabalhadores formais e informais, movimenta cadeias produtivas, fortalece o turismo e gera emprego, renda e arrecadação para o município.
“Defender o Carnaval de Salvador é defender cultura, trabalho e democracia. A Conferência Municipal do Carnaval é um passo fundamental para garantir participação popular, transparência e justiça na distribuição dos recursos, valorizando as tradições culturais e quem faz essa festa acontecer todos os anos. Os debates sobre a festa não podem se concentrar apenas no Conselho Municipal do Carnaval e Outras Festas Populares (Comcar); quem faz e participa do Carnaval precisa ter um espaço permanente de escuta”, afirmou o vereador.
O projeto aponta a necessidade de planejamento intersetorial, diálogo institucional permanente e participação qualificada da sociedade civil organizada, defendendo o fortalecimento de mecanismos de governança participativa, transparência administrativa e controle social sobre contratos de patrocínio, concessões públicas e demais formas de financiamento do Carnaval.
Outro eixo central da iniciativa é o fortalecimento do Carnaval nos bairros, como estratégia de promoção da memória, valorização das manifestações culturais comunitárias, inclusão territorial e dinamização da economia local, reduzindo a concentração de investimentos e da programação oficial nos circuitos tradicionais.

.png)
