Programação reúne obras de Cacá Diegues, Leon Hirszman, Rogério Sganzerla, Arnaldo Jabor e outros cineastas fundamentais da história do cinema brasileiro
Filmes clássicos do cinema brasileiro compõem a Mostra de Filmes Restaurados do XXI Panorama Internacional Coisa de Cinema. A seleção dedicada à preservação da nossa memória audiovisual inclui obras de Cacá Diegues, Rogério Sganzerla, Leon Hirszman, Arnaldo Jabor, Roberto Pires e André Luiz Oliveira. Os longas-metragens serão exibidos entre 25 de março e 1º de abril, no Cine Glauber Rocha (Praça Castro Alves) e na Sala Walter da Silveira (Barris).
A mostra reúne filmes de diferentes períodos e estilos, demonstrando a diversidade do cinema brasileiro ao longo do século XX. Entre os destaques está “Eles Não Usam Black-Tie” (1981), de Leon Hirszman, um dos grandes marcos do cinema político brasileiro.
Adaptado da peça de Gianfrancesco Guarnieri, o filme acompanha o conflito entre pai e filho em meio às greves operárias no ABC paulista. A obra ganhou repercussão internacional, conquistando o Prêmio Especial do Júri no Festival de Veneza.
“Há um diálogo entre filmes de diferentes épocas que continua pertinente. Para entender o cinema brasileiro de hoje, é fundamental reencontrar as invenções e realidades que nos moldaram”, ressalta o curador da mostra, Adolfo Gomes.
Outro clássico presente é "Xica da Silva" (1976), de Cacá Diegues, sucesso de público que projetou a atriz Zezé Motta. O longa reinterpreta a trajetória da personagem histórica que ascendeu socialmente no Brasil colonial, em uma narrativa marcada por exuberância visual e forte comentário político. A seleção tem ainda outro filme de Cacá Diegues: "Quilombo" (1984).
Cinema marginal e underground
"A Mulher de Todos" (1969), de Rogério Sganzerla, filme emblemático do chamado cinema marginal, também integra a mostra. Protagonizado por Helena Ignez, o longa apresenta uma ninfômana insaciável, casada com um ex-carrasco nazista. Entediada com sua vida doméstica, ela passa seu tempo colecionando homens.
Entre os filmes restaurados programados está "Eu Te Amo" (1981), de Arnaldo Jabor, drama estrelado por Sônia Braga e Paulo César Pereio, que foi exibido no Festival de Cannes. Também se destaca "Meteorango Kid – Herói Intergaláctico" (1969), do cineasta baiano André Luiz Oliveira, obra underground que se tornou símbolo da contracultura brasileira durante a ditadura militar. A obra de André é representada ainda por “A lenda de Ubirajara”.
A seleção inclui ainda "Garota de Ipanema" (1967), também de Leon Hirszman, retrato da juventude carioca em plena ditadura; "Máscara da Traição" (1969), de Roberto Pires, pioneiro do cinema baiano; e "Um é Pouco, Dois é Bom" (1970), de Odilon Lopez, exemplo da produção independente do sul do país.
O XXI Panorama Internacional Coisa de Cinema tem patrocínio do Instituto Flávia Abubakir e apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia. O festival conta ainda com apoio institucional da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) e da Dimas (Diretoria de Audiovisual da Funceb).
Assessoria de imprensa
Quarta Via Comunicação
Jane Fernandes

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