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| foto: Projeto Educacional em maio de 2024, reunindo milhares de alunos do EJA em parceria com Assistência Social Veja aqui : maio 2024 |
Apagão na Educação: Falta de busca ativa e dança das cadeiras em secretaria esvaziam o EJA e fazem Nazaré perder milhões
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| foto: maio de 2024, alunos do EJA recebidos pela Prefeita e pela Secretária de Educação |
Por: Marcius Pirôpo
A educação pública de Nazaré vive um cenário de retrocesso silencioso, mas que se reflete diretamente nos cofres e no futuro do município. Um levantamento minucioso aponta que a atual gestão municipal vem perdendo milhões de reais em repasses de verbas federais por um motivo claro: a drástica redução no número de matrículas na Educação de Jovens e Adultos (EJA). O esvaziamento das salas de aula, provocado pela ausência de políticas eficazes de incentivo e de uma busca ativa eficiente, gerou um impacto severo nos recursos oriundos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
Para tentar se esquivar da responsabilidade pelo prejuízo milionário, a atual administração adota uma narrativa conveniente, tentando lançar sobre a gestão passada a falsa acusação de que o volume anterior de alunos "não era real". Trata-se de uma tentativa desesperada de mascarar a própria incompetência. Aluno no EJA em Nazaré não era ficção; era uma realidade viva, pulsante e visível aos olhos de toda a cidade.
Na gestão da ex-prefeita Eunice Barreto com a Professora Isleide na pasta da Educação, a realidade da modalidade EJA era completamente oposta. As salas de aula eram marcadas por milhares de alunos que decidiram retornar aos estudos — entre eles, mães, pais de família e idosos que viam na escola uma oportunidade de transformação.
A alta demanda daquela época não era por acaso. O município contava com uma infraestrutura que servia de atrativo direto para a comunidade: escolas modernas sendo construídas com piscinas, salas de aula climatizadas com ar-condicionado, refeitórios estruturados e uma merenda escolar reconhecida pela alta qualidade. Além disso, a figura da ex-gestora, popularmente chamada de "mamãe", exercia um forte papel de liderança e mobilização social, onde os convites institucionais e pessoais para as matrículas encontravam eco imediato na população.
A frequência e a existência real desses milhares de alunos são comprovadas por relatórios técnicos e, acima de tudo, por projetos pedagógicos de grande impacto territorial. Exemplo disso foi o projeto coordenado no município pelo professor Marcus Plácido, que movimentava as salas de aula do EJA em diversos bairros e localidades periféricas de Nazaré.
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| alunas do EJA da comunidade rural acompanhadas da diretora Professora Iraildes |
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| nossa equipe PIRÔPO NEWS esteve presente neste mega projeto do EJA em maio de 2024 |
Como repórter, acompanhei de perto a execução desse projeto e testemunhei salas de aula completamente lotadas, cheias de cidadãos determinados a aprender. O ponto alto dessas ações culminou em um evento massivo na Praça Isaac Peixoto (a conhecida Praça dos Caxixis). Naquela culminância, a praça enorme ficou completamente tomada por estudantes do EJA, numa mobilização tão gigantesca que lembrava a estrutura de um carnaval de tanta gente reunida — uma prova irrefutável de que havia sim engajamento e compromisso público.
O que faltou para a atual gestão não foi aluno, mas sim competência para mantê-los na escola. O desinteresse dos estudantes em permanecer nas salas de aula reflete diretamente a falta de motivação, a ausência de uma busca ativa eficiente para resgatar quem se evadiu e a visível queda na qualidade do suporte oferecido, a começar pela merenda.
A desorganização e a falta de rumo na educação do município ganham contornos ainda mais graves quando se observa a instabilidade na pasta. A atual gestão já trocou de secretário de educação por três vezes. Essa dança das cadeiras é o atestado definitivo de uma administração que não consegue se encontrar no setor. Afinal, se houvesse um plano técnico sólido e competência na condução da pasta, o comando da educação seria contínuo e estável desde o início.
Em vez de focar em resolver o colapso da educação e explicar o sumiço dos recursos federais, a atual gestão prefere tentar calar quem fiscaliza. O prefeito e dois de seus secretários municipais já acionaram a Justiça com processos contra o site Pirôpo News, em uma clara tentativa de cercear o livre exercício do jornalismo sério e independente.
Diante dessa postura persecutória, reafirmamos que o portal atua sob o impostergável manto da Liberdade de Imprensa, assegurada pelo Artigo 220 da Constituição Federal e solidificada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento da ADPF 130, que proibiu qualquer tipo de censura prévia ou retaliação ao trabalho jornalístico.
Como rege a boa prática da imprensa profissional, o Pirôpo News mantém o seu espaço democraticamente aberto para o contraditório. A gestão municipal tem o pleno direito de se manifestar e trazer as suas explicações; contudo, que venham munidos de dados técnicos e verdades administrativas, e não com narrativas vazias ou ataques de cunho político contra administrações passadas para tentar justificar o injustificável.
A lógica do financiamento da educação pública no Brasil é direta: o volume de recursos federais repassados a um município é proporcional ao número de alunos devidamente matriculados e frequentes no censo escolar. Quando a demanda é alta, a verba que entra para o município é significativamente maior.
Sem projetos de incentivo e sem o acolhimento necessário, as salas que antes eram cheias agora estão vazias. A consequência imediata dessa negligência administrativa e da descontinuidade de projetos eficientes foi a queda brusca na receita do FNDE destinada a Nazaré. São milhões de reais que deixaram de entrar na economia local e na própria manutenção da rede de ensino.
O sumiço dos alunos do EJA nas salas de aula de Nazaré não é culpa do passado. É o retrato de uma gestão que faliu na sua capacidade de dialogar com o povo, que se perdeu em disputas políticas para esconder seus próprios erros e que, por falta de ação, empobreceu tanto os cofres públicos quanto as oportunidades de seu povo.




