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| FOTO: ILUSTRATIVA/ Fotografia compõe o acervo da Exposição aFÉto – Uma série fotográfica sobre o Amor entre Orixás e Fiéis de Roger Cipó (Foto: Roger Cipó) |
Familiares e estudantes da rede municipal de Nazaré, no Recôncavo Baiano, relataram episódios de suposta intolerância religiosa atribuídos a um integrante da equipe escolar, identificado pelos estudantes como Sargento Zé Fonseca. Em vídeo gravado no interior de um ônibus do transporte escolar, jovens questionam atitudes e falas direcionadas a praticantes de religiões de matriz africana, cobrando respeito à liberdade de crença. O caso gerou forte indignação ao expor o constrangimento e o choro de uma aluna que teve sua fé ostensivamente atacada no trajeto até a escola.
O episódio no veículo escolar soma-se a outros relatos de perseguição no município, a exemplo das denúncias que envolvem o terreiro de Candomblé comandado por Pai Dico. Além da cobrança por garantias do poder público, a controvérsia reacende o debate sobre a disparidade na aplicação de recursos municipais. Lideranças locais criticam o fato de eventos como a Marcha para Jesus contarem com elevados investimentos da gestão do prefeito Benon (PSD) — atingindo R$ 300.000,00 em cachês —, enquanto os terreiros e manifestações de matriz africana recebem incentivos considerados mínimos.
A gravidade do relato exige respostas imediatas da gestão municipal. A Lei nº 14.532/2023 equiparou a intolerância religiosa ao crime de racismo, tornando a conduta inafiançável e imprescritível, com pena de 2 a 5 anos de reclusão. Além disso, o artigo 206 da Constituição Federal, a LDB (Lei nº 9.394/1996) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) asseguram a laicidade e a proteção integral dos jovens contra a discriminação no ambiente escolar e nos serviços públicos.
A comunidade e os movimentos sociais cobram formalmente uma postura do Prefeito Benon e da Secretaria Municipal de Educação sobre quais medidas disciplinares serão adotadas em relação ao educador envolvido e como a gestão garantirá a segurança moral de todos os alunos dentro do transporte escolar.
O lamentável fato ocorrido no ônibus escolar em Nazaré acende um alerta sobre a necessidade de impor limites claros ao avanço do radicalismo contra as religiões de matriz africana. Analistas e lideranças chamam a atenção para a urgência de cessar a projeção de figuras demoníacas sobre o Candomblé e a Umbanda, lembrando aos detratores que o conceito maniqueísta de "diabo" sequer existe na teologia dos terreiros. Projetar figuras malignas em cultos ancestrais reflete apenas o desconhecimento dos dogmas alheios.
A reflexão ganha contornos ainda mais contundentes quando se questiona: qual seria a reação da sociedade se os praticantes de matriz africana usassem da mesma métrica e apontassem contradições nas próprias escrituras judaico-cristãs? A literatura bíblica reúne contextos históricos que versam sobre a regulamentação da escravidão (Levítico 25:44-46), normas severas de guerra e pilhagem (Números 31:17-18), relatos de extrema violência contra jovens (II Reis 2:23-24) e passagens duras sobre conflitos (Oséias 13:16). A exposição dessas passagens fora de contexto demonstra como é incoerente julgar ou vilipendiar a fé alheia com base em dogmas exclusivos.
Historiadores também apontam para uma contradição social análoga à "síndrome de Estocolmo", na qual brasileiros, descendentes de povos historicamente atingidos pela violência do período colonial, passam a defender e reproduzir o preconceito contra a memória e a cultura de seus próprios antepassados. O cumprimento rigoroso da legislação e o respeito à laicidade do Estado permanecem como as únicas vias para impedir que estudantes sofram perseguição ou constrangimento no ambiente público.
O portal PIRÔPO NEWS reafirma seu compromisso com a imparcialidade e a ética jornalística. O espaço permanece integralmente aberto ao Sargento Zé Fonseca, à direção escolar, à Secretaria Municipal de Educação e à Prefeitura Municipal de Nazaré (gestão do prefeito Benon) para que apresentem seus posicionamentos, esclarecimentos ou notas oficiais sobre os fatos citados.
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