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INTOLERÂNCIA EM ÔNIBUS ESCOLAR: ALUNA CHORA APÓS OFENSAS À SUA FÉ E COMUNIDADE COBRA PROVIDÊNCIAS DO PREFEITO BENON E DA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DE NAZARÉ

 

imagem ilustrativa google


Familiares e estudantes da rede municipal de Nazaré, no Recôncavo Baiano nesta sexta-feira (21), relatam episódios de suposta intolerância religiosa atribuídos a um integrante da equipe escolar, identificado pelos estudantes como Sargento Zé Fonseca.

Em vídeo gravado por alunos no interior de um ônibus do transporte escolar, que ganhou forte repercussão nas redes sociais, os jovens questionam atitudes e falas direcionadas a praticantes de religiões de matriz africana, cobrando respeito à diversidade e à liberdade de crença durante o trajeto até a escola. O caso gerou indignação ao mostrar a dor e o choro de uma estudante que teve sua fé ostensivamente atacada no ambiente público.

O episódio registrado no veículo escolar soma-se a outros relatos de tensão e acusações de perseguição religiosa no município, a exemplo das denúncias que envolvem o terreiro de Candomblé comandado por Pai Dico, liderança religiosa tradicional de Nazaré. Integrantes da comunidade de terreiro apontam episódios recorrentes de discriminação e cobram maior proteção institucional e garantias do poder público.

A controvérsia também reacende o debate promovido por praticantes e representantes das tradições afro-brasileiras a respeito da disparidade na aplicação de recursos públicos municipais. Críticos e lideranças locais apontam que, enquanto eventos como a Marcha para Jesus contaram com elevados investimentos da gestão do prefeito Benon (PSD) — com repasses que atingiram R$ 300.000,00 em cachês no ano anterior —, os terreiros e as manifestações culturais de matriz africana recebem incentivos considerados mínimos para a manutenção de suas atividades e datas festivas.

Exigência de providências e amparo legal

A gravidade do relato — que aponta constrangimento, humilhação e abalo emocional de estudantes no transporte público — exige respostas imediatas da gestão municipal. Vale ressaltar que a Lei nº 14.532/2023 equiparou a intolerância religiosa ao crime de racismo, tornando a conduta inafiançável e imprescritível, com pena prevista de 2 a 5 anos de reclusão.

Além disso, por se tratar de um serviço mantido pelo poder público, o artigo 206 da Constituição Federal, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB - Lei nº 9.394/1996) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) asseguram a laicidade, a pluralidade de ideias e a proteção integral dos jovens contra qualquer forma de discriminação.

Diante dos fatos, a comunidade e os movimentos sociais cobram formalmente uma postura do Prefeito Benon e da Secretaria Municipal de Educação: quais medidas disciplinares e apurações cabíveis serão adotadas em relação ao educador militar envolvido? Como a gestão pretende garantir a segurança moral e o respeito à liberdade de crença de todos os alunos dentro do transporte escolar?


O portal PIRÔPO NEWS reafirma seu compromisso com a imparcialidade e a ética jornalística. O espaço permanece integralmente aberto ao Sargento Zé Fonseca, à direção escolar, à Secretaria Municipal de Educação e à Prefeitura Municipal de Nazaré (gestão do prefeito Benon) para que apresentem seus posicionamentos, esclarecimentos ou notas oficiais sobre os fatos citados.



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