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quarta-feira, 23 de junho de 2021

Em junho, pessoas com menos de 60 anos foram maior parte das vítimas da Covid na BA


 

Em junho, pessoas com menos de 60 anos foram maior parte das vítimas da Covid na BA

O perfil dos mortos pela Covid-19 na Bahia segue a tendência do Brasil e vem mudando. As pessoas com menos de 60 anos e sem comorbidades, e que, portanto, não fazem parte do grupo de risco para a doença, ou não faziam, passaram a representar a maior parte das mortes pela doença. O fato foi constatado pela reportagem do Bahia Notícias a partir de dados dos boletins da Secretaria da Saúde do estado (Sesab).

 

Nesta semana um levantamento semelhante, mas que levava em conta dados nacionais, destacou que embora a maior parcela dos brasileiros mortos pela doença ainda seja formada por idosos, pela primeira vez desde o início da pandemia a maioria dos novos óbitos registrados no Brasil não ocorre neste grupo. Os dados mostraram que 54,4% das pessoas mortas neste mês tinham menos de 60 anos. Em maio, esse índice era de 44,6%. Em todos os meses do ano passado, esse porcentual ficou sempre abaixo dos 30% .

 

Na Bahia, o índice mensal de pessoas mortas pela Covid-19 com menos de 60 anos passou de 10,7% em janeiro para 56,3% em junho. O número cresceu progressivamente, em meio ao processo de imunização dos grupos até então considerados de risco: em fevereiro, o índice de mortos com no máximo 59 anos era de 25%; em março, de 28%; em abril, 34%; e em maio, 47%.

 

Entre as vítimas mais jovens, fora da faixa considerada idosa, a porcentagem daqueles que não tinham comorbidades conhecidas estava em cerca de 42%. Já em junho, esse número chegou a 58%.

 

No mês passado a Bahia já havia começado a assistir a uma redução do número de idosos hospitalizados com diagnóstico para Covid-19. As pessoas com 60 anos ou mais representavam no primeiro trimestre deste ano 53,1% dos pacientes internados com a infecção pelo novo coronavírus, agora eles correspondem a 39,2%. Uma redução de 13,9%. Enquanto isso, os baianos com idade entre 20 e 49 anos passaram de 26,6% para 35,7% dos internados com a infecção .

 

Especialistas atribuem a redução desses indicadores entre os idosos à vacinação, mas também sinalizam a influência de outros fatores. Ao comentar sobre a mudança que vem notando no perfil dos pacientes internados nas UTIs com a doença, o médico intensivista Albert Bacelar, que atua na linha de frente do combate à pandemia, destaca que é preciso considerar que a população jovem, que passou a precisar mais de internamento, é economicamente ativa e, portanto, está mais tempo fora de casa pela necessidade de trabalhar. Além disso, é também o grupo dessa faixa etária que está presente em eventos e festas clandestinas.

 

Além do desrespeito a medidas de proteção, é preciso considerar a disseminação de novas cepas, potencialmente mais agressivas, que podem estar causando maior vitimização de jovens. Na semana passada a Sesab admitiu que a variante do coronavírus P1, identificada inicialmente em Manaus, no Amazonas, se tornou predominante na Bahia e já representa 80% das infecções no estado. O fato deixa a pasta em alerta devido ao alto potencial de transmissão e risco aumentado para internações .

 

O secretário da Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, atribui à variante a responsabilidade pela aceleração do número de internações e elevação do número de óbitos no estado.


por Rebeca Menezes / Jade Coelho

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