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Chapada Diamantina constrói agenda para o desenvolvimento sustentável da região

 

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Tão bela quanto desafiadora em termos de desenvolvimento produtivo sustentável, a Chapada Diamantina vive nesta semana um momento promissor para pavimentar uma nova fase de crescimento da região. Desde a última segunda-feira (8) até hoje (11), empresas, indústrias e representantes de associações e de cadeias produtivas locais participam de oficinas de escuta do programa Avança Chapada.

O objetivo é ouvir quem produz, empreende e gera empregos na região sobre os seus desafios diários, entraves estruturais e possíveis soluções para transformar a realidade dos seus negócios e, com isso, fortalecer a economia e a competitividade desse território tão importante para a Bahia e valorizado por turistas do mundo todo. O programa é uma realização pelo Sistema FIEB e pela ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial)

Entre os principais desafios apontados pelos participantes estão o acesso ao crédito e às linhas de financiamento, os custos logísticos para circulação da produção, a dificuldade de inserção em novos mercados, a valorização e visibilidade dos produtos regionais, a presença de intermediários na cadeia de comercialização, o fortalecimento das associações e cooperativas, a ampliação da assistência técnica, a adoção de práticas sustentáveis, como o sistema de agrofloresta, a segurança hídrica e a necessidade de criar condições para manter os jovens no campo e envolvidos no desenvolvimento da região.

Referência da apicultura na Chapada Diamantina, o suíço-brasileiro Pedro Constam, diretor da Associação Flor Nativa, no Vale do Capão, acompanha há décadas o desenvolvimento da atividade na região. Durante o encontro, ele destacou que a apicultura tem potencial de crescimento, mas enfrenta desafios que afetam a produção e a renda dos produtores. “O aquecimento global é um desafio para a gente, principalmente pela instabilidade climática que ele vem causando. Tem anos em que praticamente não produzimos mel, já em outros a produção é muito boa. Além disso, as exigências para manter uma casa de mel dentro dos padrões são muito altas e muitas vezes não condizem com a realidade do pequeno agricultor”, observou.

Apesar de representar cerca de 200 empresas em Seabra, a Associação Comercial e Empresarial de Seabra (CISE) ainda busca ampliar a participação do empresariado local. Segundo o presidente da entidade, Jussileno José Duarte, um dos principais desafios é conscientizar empresários sobre a importância do associativismo para o fortalecimento da economia local. “Quando as pessoas se unem, conseguem defender melhor seus interesses, atrair investimentos e criar oportunidades para toda a região”, destacou.  Para Duarte, o desenvolvimento da Chapada Diamantina depende do fortalecimento do ambiente de negócios, com mais qualificação empresarial, acesso a crédito e apoio ao empreendedorismo. 

Representando a Associação Comercial para o Turismo Sustentável do Vale do Capão (ACOMTUV), Mateus Aragão destacou a necessidade de investimentos em infraestrutura para fortalecer o desenvolvimento econômico da Chapada Diamantina, citando desafios relacionados ao abastecimento de água, à contenção de vias e à qualidade do fornecimento de energia. Ele também chamou atenção para a importância do ordenamento dos atrativos naturais e de ações voltadas à preservação ambiental, como campanhas de educação ambiental, ampliação da coleta seletiva e soluções adequadas para a destinação de resíduos. Para ele, a escuta promovida pelo programa contribui para aproximar diferentes setores da economia regional e construir soluções conjuntas para os desafios do território.

A diretora municipal de Reparação e Promoção da Igualdade Racial, Gerlaine Xavier, da comunidade quilombola de Segredo, em Souto Soares, destacou a importância das escutas para fortalecer comunidades tradicionais e atividades produtivas existentes no território, como a mandiocultura, o cultivo de milho, a produção de panificados e o corte e costura. Segundo ela, entre os principais desafios estão a logística de transporte e a comercialização dos produtos. “Tem duas questões excepcionais: a questão do escoamento do produto, da logística de transporte desses produtos, e a cooperativa. Acredito que agrega muito porque vai reunir diversos produtos dos 24 municípios da Chapada Diamantina e, em nível de território, promover melhorias para as comunidades e para os produtores. Acho que isso é fundamental para o nosso desenvolvimento”, afirmou.


Plano de ação - Para garantir a participação dos 24 municípios da região, o programa fez mobilizações locais e realizou encontros em quatro microrregiões: Mucugê, Piatã, Seabra e Morro do Chapéu. A escuta segue até julho com agentes locais que não puderam participar, por meio de reuniões presenciais, telefone ou videoconferência. 

As instituições que integram o comitê gestor do Avança Chapada representam setores como serviços, comércio, transporte, turismo, agropecuária e indústria, entre elas Fecomercio, Sebrae, Senai Cimatec, Fetrabase, CAR, Faeb, Consórcio Chapada Forte e SESI. A diversidade de segmentos amplia a visão sobre os desafios e oportunidades da região e contribui para a construção de estratégias de desenvolvimento produtivo sustentável na Chapada Diamantina.

A agenda produtiva sustentável do programa Avança Chapada terá continuidade em agosto, quando representantes dos diversos segmentos da região voltarão a se reunir para um novo ciclo de encontros. Com base nas demandas e desafios identificados, o objetivo será construir coletivamente propostas, soluções e estratégias de implementação. Já em outubro, será realizada a assinatura do Plano de Ação, etapa que marca o compromisso dos órgãos e instituições que integram o comitê gestor com a execução das iniciativas definidas ao longo do processo. 

Esta é a primeira vez que a Bahia realiza um programa reunindo 15 instituições de diferentes áreas com atuação conjunta voltada para o desenvolvimento da Chapada Diamantina. A iniciativa integra entidades que passam a  atuar de forma articulada na construção de solução para o território. “Cada instituição traz um olhar diferente, e é essa diversidade que enriquece o trabalho e fortalece as possibilidades de desenvolvimento da Chapada”, afirmou a gerente de Negócios do IEL, representando a FIEB, Sandra Pasta.


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