_Equipamento funcionará como um ‘andaime’ de apoio, transportando insumos, equipamentos e trabalhadores_
Marcia Gomes
Tirar da prancheta o projeto da ponte que ligará Salvador à Ilha de Itaparica, com 12,4 km de extensão sobre o mar da Baía de Todos-os-Santos (BTS), não é tarefa para amadores. A construção do equipamento, de tecnologia chinesa, tem previsão para começar no início de junho e o primeiro passo será a edificação de uma Plataforma Linear Provisória (PLP) – tal qual um andaime –, que servirá para o transporte de trabalhadores, insumos e equipamentos.
As 800 toneladas de materiais que aportaram em Salvador, na segunda-feira (18), a bordo de um navio vindo da China, serão utilizadas para construir a plataforma de trabalho, que deve ser finalizada em um ano e meio. A PLP é uma solução inovadora em engenharia no Brasil e sua função é estabelecer uma base estável.
O secretário de Infraestrutura da Bahia, Saulo Pontes, destaca que a plataforma será essencial para dar mais segurança e eficiência às obras e funcionará como uma base de apoio ao longo da BTS. “Com a PLP, vamos organizar melhor a operação, dar mais previsibilidade ao cronograma e reduzir em quase 70% o número de embarcações circulando na Baía durante a construção. E teremos ganhos ambientais importantes, com um controle mais eficiente da coleta e do descarte dos resíduos gerados na construção”, enfatiza o secretário.
A PLP será construída paralela ao traçado da futura Ponte Salvador–Ilha de Itaparica e terá extensão total de aproximadamente 11,2 Km. A edificação da estrutura será dividida em duas fases, iniciando em Itaparica e depois na margem de Salvador. Na sequência, as frentes irão convergindo progressivamente, até chegarem ao eixo central da ponte.
“Construções como a da ponte Salvador-Itaparica têm sido executadas com balsas, carregando pessoal, equipamentos e materiais, mas ficam suscetíveis a ondas e à variação das marés. Com a plataforma provisória, o transporte pode se dar a qualquer momento e nas mesmas condições de segurança, durante todo o período de execução das obras”, assegura o superintendente de Projetos e Engenharia da SVPonte, Ubaldo Brito.
Segurança
A construção da ponte ocorrerá em área de mar aberto na BTS, sujeita a condições ambientais adversas, tais como ventos, correntes, variações de maré e ondas. A adoção da utilização da PLP apresenta vantagens significativas não apenas sob os aspectos de segurança operacional, gestão ambiental e eficiência logística, mas também se configura como uma solução técnica ambientalmente responsável.
A plataforma temporária é capaz de suportar equipamentos de grande porte e máquinas pesadas, fornecendo uma base de trabalho ideal para atividades de alta precisão e, por não estar sujeita a interferências de fatores ambientais como marés, ondulações e velocidade do vento, assegura a continuidade das atividades construtivas e contribui diretamente para redução do prazo total de obra. Além disso, irá otimizar a execução das fundações e superestrutura da ponte permitindo maior eficiência na execução e reduzindo os riscos de obras no ambiente marinho.
No mundo
A maior ponte do mundo construída sobre lâmina d’água é a Danyang-Kunshan Grand Bridge, na província de Jiangsu, na China, com 164,8 km de extensão. Além dessa, o país asiático possui mais nove equipamentos do gênero: Tianjin Grand Bridge (113,7 km); Cangde Bridge (105,8 km); Weinan Weihe Bridge (79,7 km); Hong-Kong-Zhuhai-Macau (55 km); Beijing Grand Bridge (48,1 km); Hangzhou Bay Bridge (36 km); Runyang Bridge (35,6 km); Donghai Bridge (32,5 km); e Jiaozhou Bay Bridge (26,7 km).

