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Chapa de ACM Neto reúne aliados divididos entre Caiado, Flávio Bolsonaro e Zema


Reprodução/Agência Senado


_Divergências sobre a disputa presidencial expõem falta de unidade nacional na aliança estadual e aumentam a pressão para que o pré-candidato defina qual projeto defenderá na Bahia_


Embora apresente sua chapa para o Governo da Bahia como organizada e pronta para disputar as eleições de outubro, ACM Neto, do União Brasil, chega ao período das convenções partidárias comandando uma aliança que ainda não demonstra unidade sobre um dos principais temas da campanha, a escolha do candidato à Presidência da República que receberá apoio do grupo oposicionista no estado.


O próprio ACM Neto mantém preferência política por Ronaldo Caiado, pré-candidato presidencial ligado ao PSD, enquanto o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, uma das principais lideranças de sua aliança, declarou que pretende votar no senador Flávio Bolsonaro, do PL, repetindo em 2026 o posicionamento adotado pelo campo bolsonarista nas eleições anteriores.


Ao mesmo tempo, integrantes do Partido Novo, legenda que também ocupa espaço no campo de oposição ao PT baiano, defendem a candidatura presidencial de Romeu Zema, ampliando a divisão entre os aliados que pretendem caminhar juntos na disputa estadual, mas seguem separados quando o assunto é o comando do Palácio do Planalto.


A divergência não impede formalmente a construção de uma chapa estadual, já que os partidos podem adotar estratégias diferentes na eleição presidencial e manter alianças locais, porém dificulta a apresentação de um projeto político unificado para o eleitorado baiano, especialmente em uma campanha na qual a disputa nacional costuma influenciar diretamente o resultado para o Governo do Estado.


Na prática, ACM Neto tenta reunir em torno de sua candidatura lideranças que representam três projetos presidenciais distintos, enquanto evita até o momento assumir uma vinculação completa com qualquer um deles, estratégia que preserva sua capacidade de diálogo com diferentes segmentos, mas também abre espaço para críticas sobre falta de clareza política.


A situação se torna mais delicada com a presença do PL na aliança estadual, partido que pretende apresentar Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência e João Roma como nome para o Senado na Bahia, criando uma expectativa natural de que o palanque de ACM Neto também ofereça espaço e apoio ao projeto nacional da legenda.


Reportagem publicada em 14 de julho mostrou que dirigentes do PL tentavam convencer ACM Neto a apoiar Flávio Bolsonaro já no primeiro turno, embora o acordo inicial entre as legendas previsse liberdade para que o ex-prefeito de Salvador mantivesse sua aproximação com Ronaldo Caiado.


O presidente estadual do PL, João Roma, afirmou posteriormente que não existia pressão formal para que ACM Neto declarasse apoio a Flávio Bolsonaro, porém a própria necessidade de esclarecer o assunto demonstra que a escolha presidencial passou a ocupar espaço relevante nas negociações internas da oposição baiana.


A cobrança também apareceu publicamente por meio de lideranças bolsonaristas, enquanto setores do PL reagiram às manifestações de aproximação entre ACM Neto e Caiado, indicando que parte da militância espera reciprocidade em troca do apoio oferecido à candidatura do União Brasil ao Governo da Bahia.


A decisão coloca ACM Neto diante de um cálculo eleitoral complexo, porque uma adesão integral a Flávio Bolsonaro poderia aproximá-lo ainda mais da base conservadora e garantir maior participação do PL na campanha, mas também poderia dificultar seu diálogo com eleitores de centro e com setores que rejeitam o bolsonarismo.


Por outro lado, manter o apoio a Ronaldo Caiado ou evitar uma definição clara pode provocar insatisfação entre os aliados do PL, principalmente diante da intenção do partido de fortalecer Flávio Bolsonaro no Nordeste, região considerada estratégica para reduzir a vantagem eleitoral obtida pelo presidente Lula nas eleições anteriores.


José Ronaldo já escolheu uma posição diferente da cautela adotada por ACM Neto, ao declarar publicamente que votará em Flávio Bolsonaro, embora tenha reafirmado apoio ao ex-prefeito de Salvador para o Governo da Bahia, fazendo com que o principal palanque oposicionista do interior passe a carregar uma identidade presidencial diferente daquela defendida pelo líder da chapa estadual.


Essa falta de alinhamento pode ser apresentada pelos aliados como uma demonstração de pluralidade e autonomia partidária, mas também oferece aos adversários a oportunidade de questionar qual projeto nacional sustenta efetivamente a candidatura de ACM Neto e como partidos com posições presidenciais diferentes governariam juntos em caso de vitória.


O problema não está apenas em escolher entre Caiado, Flávio Bolsonaro ou Zema, mas na dificuldade de transformar uma reunião de partidos interessados em derrotar o PT em uma aliança capaz de apresentar propostas comuns para a Bahia e uma posição coerente diante dos grandes debates nacionais.


Enquanto a base do governador Jerônimo Rodrigues deverá caminhar majoritariamente vinculada à candidatura do presidente Lula, ACM Neto precisa administrar uma oposição fragmentada entre diferentes nomes da direita, circunstância que poderá dificultar a construção de uma mensagem única durante a campanha.


A estratégia de não fechar completamente o palanque presidencial pode permitir que ACM Neto preserve apoios distintos e evite afastar eleitores antes do início oficial da disputa, porém a indefinição não poderá ser mantida indefinidamente sem gerar novos questionamentos entre partidos, candidatos e eleitores.


As convenções partidárias deverão mostrar se a oposição baiana aceitará conviver com vários palanques presidenciais dentro da mesma chapa ou se ACM Neto será pressionado a assumir uma posição mais clara, decisão que poderá fortalecer uma parte da aliança e, ao mesmo tempo, ampliar o desconforto entre os demais integrantes.


Até o momento, a chapa reúne partidos e lideranças em torno da tentativa de derrotar o PT no estado, mas ainda não apresenta unidade sobre quem deverá governar o país, contradição que revela uma aliança consolidada pelo objetivo eleitoral estadual, porém dividida quanto ao projeto nacional que pretende oferecer aos baianos.


Fonte: jornalista Mateus Oliver

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