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NAZARÉ-BA: Líder de terreiro tradicional publica nota de repúdio contra a Secretaria de Cultura por perseguição política e exclusão de eventos

fotos: Pai Dico / Secrtária de Cultura Márcia Valéria / fotos : Redes Sociais 


​Em meio a um cenário de crescentes críticas à condução da gestão pública em Nazaré, a relação entre a administração municipal e representantes das religiões de matriz africana ganhou um capítulo de forte indignação. Dico Rico, proeminente líder religioso do município e responsável pelo Terreiro de Candomblé Nzo de Nzazi (Rei da Hungria) — uma das casas mais antigas e de maior tradição do território nazareno —, tornou pública uma nota de repúdio direcionada à Secretaria Municipal de Cultura.

​A manifestação do líder religioso aponta para a prática de discriminação e perseguição política motivada por seu posicionamento contrário à atual gestão do prefeito Benon. Segundo a nota oficial emitida pelo Terreiro Nzo de Nzazi, a casa tradicional foi deixada de fora do acesso aos recursos da Lei Aldir Blanc — mesmo tendo submetido projetos estruturados para a cidade — e foi deliberadamente excluída do convite para a tradicional Lavagem da cidade, evento cultural e religioso do qual o terreiro sempre participou ativamente.

​A Carta de Repúdio na Íntegra

​Abaixo, reproduzimos na íntegra o documento assinado e divulgado pelo líder religioso Dico Rico:

"Carta de repúdio a uma secretaria que deveria ser de cultura e não de perseguição

​Nós do Terreiro de Candomblé Nzo de Nzazi, Rei da Hungria, uma das casas mais antigas e de maior tradição de Nazaré das Farinhas, vimos por meio desta manifestar nosso repúdio formal à perseguição política que vem sendo direcionada à nossa instituição.

​Primeiramente, já nos deixou de fora da Lei Aldir Blanc, onde tínhamos projetos preparados para o município; e agora também nos deixa fora do convite para essa Lavagem — um ato tão importante e que há anos conta com a participação de todos nós.

​Observamos com estranhamento esse proceder. Mas saiba que não nos ressentimos apenas por esse esquecimento. Entendemos que tal postura não representa o verdadeiro sentido da cultura. A cultura, de fato, é a capacidade de reunir todos os saberes e todos os povos para, em comunhão, celebrar esses momentos da nossa terra.

​Ainda assim, e por compreendermos a importância desse ato para a cultura e a fé do nosso povo nazareno, o Terreiro Nzo de Nzazi estará fora dessa lavagem por ser oposição.

​Registramos aqui toda a nossa indignação com essa postura que demonstra pautar-se por perseguição àqueles que pensam diferente ou fazem oposição. Mas fica aqui também o nosso respeito: o seu pensar é muito respeitado por nós. Apenas reforçamos que, nos momentos de fé e de cultura, não há espaço para divisões políticas nem para lados. Nesse terreno, todos somos um só povo."

Obs: A carta foi compartilhada pelo líder religioso em um dos maiores grupos de WhatsApp do município.

​Análise Editorial: Disparidade no investimento cultural e o fantasma do "Coronelismo"

​O caso traz à tona questões profundas sobre a equidade nos investimentos públicos e a postura do Executivo frente às vozes dissonantes no município.

​Chamamos a atenção para uma disparidade gritante na aplicação dos recursos públicos: enquanto os terreiros da cidade recebem repasses mínimos e irrisórios pela via municipal — dependendo quase que exclusivamente dos aportes do Governo Federal por meio da Lei Aldir Blanc —, a gestão do prefeito Benon destinou, no ano de 2025, um montante de R$ 300 mil dos cofres municipais exclusivamente para o pagamento de cachês na Marcha Para Jesus. Vale notar a contradição de tal postura orçamentária por parte de um gestor de quem é sabido publicamente o histórico de frequência ao espiritismo e à maçonaria.

​Para além do setor cultural, observamos com extrema preocupação a conduta do prefeito, que vem assumindo contornos típicos do antigo "Coronelismo" — figurado na postura de um autêntico "Coronel Saruê". A atual gestão tem sistematicamente acionado a Justiça contra cidadãos comuns e veículos de imprensa em uma clara tentativa de calar críticas e sufocar a livre manifestação sobre o visível desgoverno enfrentado pela população nazarena.

​A realidade enfrentada pelos moradores do município é de abandono em setores cruciais: buracos multiplicam-se pelas ruas, a coleta de lixo falha constantemente, os serviços públicos essenciais encontram-se precarizados e falta medicação nos postos de saúde. A estratégia do medo e do processo judicial parece ser o instrumento utilizado pelo gestor para tentar impor o silêncio diante da insatisfação popular.

​O site PIRÔPO NEWS repudia veementemente qualquer tentativa de intimidação ou cerceamento da liberdade de expressão. Pautados e protegidos pelos preceitos constitucionais inscritos no Artigo 220 da Constituição Federal e pela decisão histórica da ADPF 130 do Supremo Tribunal Federal (STF), reafirmamos o nosso dever profissional de dar voz à comunidade e fiscalizar os atos do poder público.

​Em obediência ao rigorismo jornalístico, ao contraditório e à ampla defesa, ressaltamos que o espaço deste portal permanece integralmente aberto para que tanto a Secretaria Municipal de Cultura quanto o Prefeito Benon possam manifestar suas versões e esclarecimentos sobre os fatos citados nesta reportagem.




Marcius Pirôpo Campeão Mundial

PIRÔPO NEWS BAHIA

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