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Repórter Marcius Pirôpo Analisa o Caso Thiancle na Bahia: A Prisão em Alagoinhas e os Riscos da Cultura do "PAREDÃO" na Política


VERSÃO DO CANDIDATO

Por Marcius Pirôpo


O cenário político baiano nesta campanha eleitoral de 2026 passou por uma transformação estética e cultural evidente. Da esquerda à direita, passando por evangélicos e conservadores, a música de trabalho e o ritmo das ruas abandonaram os velhos jingles elaborados dos marqueteiros tradicionais. O protagonismo agora pertence ao pagodão baiano, aos paredões de som e ao apelo popular direto.
Nesse novo ecossistema, o advogado e ex-prefeito de Castro Alves, Thiancle Araújo, encontrou uma bandeira expressiva: a defesa do movimento do "grau" de moto. Nascido nas periferias, a prática de manobrar a moto em uma roda só carrega consigo uma forte carga de marginalização. Trata-se de uma resistência respaldada por um argumento técnico claro: a motocicleta foi projetada para trafegar sobre duas rodas, e a execução indevida em vias públicas costuma gerar acidentes graves, com lesões e fatalidades.
Diferente do motocross, que se consolidou como modalidade esportiva estruturada — realizada em circuitos de terra com equipamentos obrigatórios de proteção, como capacetes específicos, joelheiras, cotoveleiras e protetores de tórax —, o grau ainda enfrenta a rejeição generalizada da opinião pública, que o enxerga sob o mesmo prisma dos paredões: um problema de perturbação da ordem e risco à segurança. Embora existam esforços institucionais para formalizar federações e legalizar a prática em locais apropriados, a percepção popular imperante ainda é de infração do Código de Trânsito.
O episódio registrado neste domingo (30), em Alagoinhas, serve como um importante alerta profissional ao próprio Thiancle. Durante uma motociata de campanha acompanhada por som de paredão, o candidato foi detido após um desentendimento e confronto com a Polícia Militar. Independentemente de o evento ter tido comunicação prévia ou de as versões de sua defesa contestarem o ocorrido, o fato político consumado é a imagem de um ex-prefeito e jurista conduzido pela polícia.
Para quem atua na advocacia e busca ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia, a cautela jurídica e estratégica deve preceder a empolgação do ato de rua. Defender bandeiras periféricas e propor a regulamentação do grau como esporte é um direito legítimo do debate democrático. No entanto, a linha entre captação do apelo popular e o descumprimento de normas administrativas e de trânsito é extremamente tênue.
A condução do político nada teve haver com o Grau que ele tanto defende e vale ressaltar no caso do Grau a prudência sugere que orientar seus apoiadores a cumprirem rigorosamente a legislação — evitando manobras perigosas em vias abertas e conflitos com forças policiais — é o único caminho capaz de transformar uma pauta marginalizada em um projeto de lei respeitado. Sem essa postura institucional, o risco é ver uma pré-candidatura promissora atropelada pelo pragmatismo das urnas e do rigor da lei.
Marcius Pirôpo Campeão Mundial

PIRÔPO NEWS BAHIA

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